segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

OLD DRAGON Sessão B19 O milagre de Duncandin

20/01/2023

Assim como havia ocorrido com Soturno, Gundabad caminha por um corredor completamente escuro. Depois de algum tempo, vê à distância um pequeno ponto luminoso para onde caminha. A luz aumenta e agora ele percebe sombras adiante. Uma canção é entoada por várias vozes. 

“Vem lá mais um bravo!” alguém grita, o que é saudado por outros. A canção se intensifica e a ela se unem sons de armas se chocando contra escudos. Vários dos vultos se afastam da luz e apenas um permanece imponente ladeado por dois bem menores. Aos poucos as sombras vão ganhando forma... e Gundabad boquiaberto vê diante de si Duncandin, assim como sempre o viu retratado em imagens e livros. E mais surpreso ainda, Zumba e o outro goblin que havia caído para os esqueletos ladeiam o vigoroso deus.

“Minhas palavras alcançaram lugares que me surpreenderam. Devo isso a sua fé, meu filho. Mas é chegada a hora.”

Ao longe Gundabad pensa ouvir um uivo triste, assim como as vozes angustiadas de Erisdrale e Soturno. Não consegue entender as palavras, mas entende que deve seguir adiante.

Na masmorra Amarela uiva, Eri e Soturno tentam fazer com que Gundabad volte a respirar e estancar seus ferimentos, sem sucesso. Os goblins observam atônitos enquanto Gondorim descrente vê seu filho partir..... “Duncandin, atende a meu pedido. A Gundabad concedo minha dádiva. Permita que teu dedicado servo retorne para os seus”, ouvem uma voz feminina clamar às costas de todos.   

De súbito, a divindade franze o cenho e diz “Uma súplica foi feita em teu nome, e a esta voz não posso calar-me... a ti permito regressar, desta vez.”

Estarrecidos os aventureiros vêm uma anã de cabelos castanhos claros e finos trajes cerimoniais, envolta numa sutil aura onde instantes antes Amarela estava. Sob seu peito, aperta o pequeno martelo símbolo de Duncandin, e mais uma vez clama pelo deus.

Gundabad tosse, seus lábios e pele estão extremamente pálidos e com dificuldade olha seus companheiros... e dirige o olhar à estranha anã.

“Chamo-me Avena. Agora a vocês pertence a minha missão, é vossa obrigação cumpri-la. As Montanhas do Grifo, onde há muito nosso povo abandonou os Grandes Salões. Lá, mais de uma geração permanece escravizada, mas fiéis suplicam dia e noite pela liberdade, pela graça de Duncandin. Libertem-nos. Sejam o braço de Duncandin. Cumpram vosso desígnio”.

A aura em torno da anã se intensifica, e então ela se vai. Uma lágrima escorre no rosto de Gundabad. Todos permanecem em silêncio.

Três dias completos se passam na masmorra. Os restos dos mortos-vivos são depositados em uma das celas, cuja porta é fechada e a mesa atravessada na entrada.  Vagarosamente os aventureiros vão se curando. Godorim investe tempo em examinar a cetro que havia retirado do sarcófago de Nergal, que descobre se chamar “Pilar das Sombras” e possui propriedades para criar Luz e Escuridão. Soturno também nota que o anel que havia retirado da mão do sábio possui propriedades especiais.

No início do quarto dia abrem a porta ao sul da masmorra.

Soturno abrindo a fila, seguido de Eri, começa a examinar o ambiente. Uma grande mesa de madeira sobrea qual pequenos instrumentos, pinças, tesouras e facas, alguns repositórios de vidro vazios. Uma jaula vazia num dos cantos. Nas paredes algumas gaiolas.

Soturno recolhe e entrega os instrumentos para Gundabad.  Eri nota nas gaiolas pequenos esqueletos: uma criatura com asas mas com o crânio e formato estranho e sem bico, um réptil com duas cabeças, um pequeno humanoide.

“Nergal. Esse lugar não me traz boas vibrações.”

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

OLD DRAGON Sessão A24 O guardião e seu tesouro

 

18/01/2023

A noite já havia caído quando tensos, os companheiros veem um braço, parte do enorme dorso e uma cabeça diminuta emergir da abertura existente no fundo da fissura, seguidos de um sonoro urro.  

Vários golpes são desferidos e Drev consegue rasgar o braço da criatura, que agora emerge completamente da abertura e ameaça se colocar no meio dos combatentes.

Valgrim do alto da ribanceira, entoa palavras arcanas e lança sua corda na direção da criatura. A corda vai se movendo como se estivesse viva e ao chegar próxima do solo, se enrola nas pernas do monstro, que desequilibrado, tomba ruidosamente do lado de fora da abertura. Ao lado de Valgrim, Isiscarus imediatamente lança uma ânfora de óleo cujo conteúdo se espalha pelas costas da ameaça.

A aberração tenta se desvencilhar das cordas enquanto novos golpes são dados. Teebo conforme orientado por Bauron, acende uma tocha e assim que pronta, Duvel a pega das mãos do ainda menor companheiro e a lança no inimigo. Um inumano grito de dor é ouvido pela planície, quando o fogo arde sobre o guardião.

A criatura se solta da corda e vai se levantando. Alguns, principalmente Borges, tentam acertar as cicatrizes próximas às articulações, outros lançam flechas. Notam que ao redor do profundo corte que Drev havia infligido no braço do monstro, a estranha carne acinzentada e de estranho cheiro, parece ter se se unido numa tentativa de fechar o ferimento.

Teebo dispara uma flecha certeira que penetra o olho do adversário, que mais uma vez urra. Gerardus acerta um golpe preciso na coxa que lança um volumoso naco da carne cinzenta ao chão da fissura. Com uma grande porção do osso exposto de sua perna, a criatura retira de uma única vez a flecha de Teebo. Imediatamente o tecido da cavidade ocular começa a se regenerar, e então a criatura bate em retirada de volta à abertura.

Apesar da escuridão o clarão do fogo ardendo em suas costas mostra o caminho para Drev e Duvel que partem em perseguição. O monstro ainda tenta acertar Drev, mas acaba se afastando do mascarado.

Isiscarus se esgueira pela passagem e calculadamente lança uma adaga na nuca do guardião que tentava se afastar dos invasores. A adaga penetra até o cabo e finalmente os urros guturais cessam, quando a criatura cai imóvel para a frente.

Bauron fica vigilante ao lado do corpo, enquanto Isiscarus separa a cabeça do pescoço. Duvel e Drev se dirigem ao centro estranha e aparentemente quase vazia sala, na direção da única coisa visível, o pedestal solitário e o objeto ovoide sobre ele. Gerardus e Borges examinam a área e o humano acende uma tocha, assim como Bauron.

Aos poucos o grupo vai notando do que se trata o objeto: um grande ovo cuja superfície parece recoberta por escamas. E agora, sob a luz das tochas, notam que as escamas possuem várias cores: azul, branco, verde, vermelho e preto.

Apesar do temor de alguns, Duvel é dominado pela coragem e retira o ovo.

Sugerem levar o objeto até Aristenu, o druida da Vila de Sossego. Duvel se recusa e uma dura discussão se inicia entre este e Isiscaurs.

Valgrim tranquilamente começa a recitar algumas palavras, e em instantes os halflings caem dormindo no chão.

“Com mais calma, com os ânimos menos exaltados, vamos decidir o que fazer”, diz o anão.

sábado, 14 de janeiro de 2023

OLD DRAGON Sessão B18 Nos braços de Duncandin

13/01/2023

Um dos goblins jaz morto no chão de pedra fria, assim como Soturno após ter sofrido uma mordida do carniçal.

Gondorim grita para que Erisdrale o ajude a virar a pesada mesa de madeira sobre a qual a anã evita a aproximação dos dois esqueletos que saíram de uma das celas. A mesa é mais pesada do que esperavam e com dificuldade conseguem apenas tombá-la desajeitadamente, criando uma barreira entre eles e os inimigos.

Os anões pela primeira vez se vêm cercados por um grupo grande de inimigos, e agora lutam desesperadamente por suas vidas.

Thorn é violentamente atingido pelo punho de um dos dois carniçais. Amarela, de trás da mesa, late confusa... ela gosta de ossos, mas quando estão parados.

Iga e Zumba haviam corrido em auxílio de Gundabad e Eri, e lutam desesperadamente contra um dos esqueletos. O sangue de Zumba escorre profusamente para o chão da masmorra, mas o valente goblin ainda ouvia as palavras dos anões... e agora, a fé em Duncandin o faz seguir adiante, lutar lado a lado de seus companheiros, seus irmãos, goblins e anões.

Gritos, latidos e urros monstruosos ecoam pela masmorra.  Espadas e maças confrontam garras e dentes. O cheiro de suor, sangue e carne putrefata se misturam na até então silenciosa masmorra.

Gondorim e Eri haviam utilizado a mesa como barreira para os esqueletos, até que o velhaco tem uma ideia e grita: “Rapariga, empurra!!!”. Entendendo, Erisdrale se une ao avô e juntos unem suas forças para empurrar a mesa tombada na direção dos esqueletos e contra a parede de pedra. A mesa desliza, os gritos dos esqueletos cessam repentinamente ao mesmo tempo que o som de ossos estilhaçando reverberam quando as criaturas são violentamente imprensadas entre a mesa e a parede. Gondorim gargalha de satisfação.

Gundabad nota quando aos poucos Soturno volta a se movimentar, e lentamente se levanta. O clérigo respira aliviado e agora sente que junto com Zumba poderá dar cabo do esqueleto diante dos dois. Gundabad se prepara para flanquear, e se posiciona. De repente, as mãos do morto-vivo em um único movimento agarram a garganta do goblin. Os dedos firmam-se na carne e rapidamente perfuram-na. Sangue escorre profusamente, enquanto cada vez mais os dedos penetram o pescoço. Braços e pernas perdem as forças e Zumba olha pela última vez para Gundabad e diz: “Duncandin”. O anão vê finalmente a luz se apagar dos olhos de seu companheiro.  

Furiosos, Eridrale e Gondorim deslizam a mesa na direção do esqueleto que havia trucidado Zumba, e no curso até o fundo da sala e atingem-no com os pés do móvel. O monstro foi derrubado, mas Gundabad permanece em choque, e seu terror só aumenta quando nota o combate feroz adiante.

Soturno, recobrando os sentidos após ser paralisado pelo carniçal, sangra pelos vários ferimentos que já havia sofrido. A dor atravessa seu corpo mas o anão não recua e volta a atacar. O morto-vivo não volta a morder mas desfere um golpe violento no peito do anão que ao invés de gritar de dor, aos poucos e silenciosamente cai de lado no chão.

Enquanto Thorn e Cagão bloqueiam a último dos carniçais, Gundabad corre até o caído Soturno e começa uma fervorosa prece a Duncandin.

Escuridão. Soturno imagina que caminha por um corredor completamente escuro. Depois de algum tempo, vê à distância um pequeno ponto luminoso para onde caminha. A luz vai aumentando e agora ele percebe sombras nela. Percebe uma canção entoada por várias vozes.  

“Vem lá um bravo!” alguém grita, o que é saudado por outros. A canção se intensifica e sons de armas se chocando contra escudos agora são claros. Os vultos se afastam da luz e apenas um permanece imponente. “Guerreiro, ainda não. Um dia serás aqui recebido em glória, mas não hoje. Retorne e permaneça ao lado dos seus.”

Gundabad termina as últimas palavras da prece a Duncandin e fica olhando o rosto ensanguentado de seu primo. O peito de Soturno começa lentamente a subir e descer, até que finalmente, seus olhos se abrem.

Thorn e Cagão têm dificuldade de separar o carniçal dos demais, e em instantes a eles se junta Gundabad.

Gondorim rapidamente explica a Eri que quer derrubar uma parte da mesa sobre o último carniçal, mas agora encontram dificuldades em manobrar e suspender a pesada mobília no canto da sala, até que com alegria notam que um Soturno ainda trôpego se junta a eles e facilita a ação.

Thorn tenta contornar a pilastra e atacar o carniçal pelas costas, enquanto Cagão e Gundabad pressionam-no. Em fúria, o morto-vivo lança suas garras no peito de Gundabad que é pego de surpresa. Todos ouvem quando o clérigo se choca contra a parede com um desconfortável som de algo se quebrando e cai imóvel ao chão.

Desesperado, Gondorim grita para que os outros se afastem, ajusta a distância e junto com Eri e Soturno derrubam a mesa sobre o morto-vivo, que atingido pela sua beirada fica alguns instantes sob o móvel. Aos poucos, cambaleia e se levanta, quando é atingido mortalmente por uma flecha do velho anão.

Soturno e Eri correm até Gundabad e colocam-no sobre a mesa. Horrorizados, percebem que o primo não respira.

Através dos corredores ecoa um uivo sofrido de Amarela.      

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Caramelo Jogos Apresenta: Desafio Gygax 23

Tendo por objetivo incentivar a cena de jogos de RPG no Brasil, Desafio Gygax 23 é um concurso cultural, inspirado no The Gygax Challenge 75, desenvolvido por Ray Otus, e que consiste em criar um pequeno cenário de RPG em cinco semanas consecutivas seguindo o cronograma proposto: 

Semana 1: O Conceito; 

Semana 2: Os Arredores; 

Semana 3: A Masmorra; 

Semana 4: O Vilarejo; 

Semana 5: O Mundo Maior. 

A tradução do documento The Gygax Challenge 75 com o detalhamento dos desafios semanais pode ser encontrado no blog Dados & Canecas (http://bit.ly/3CbJHsN)  e o concurso está programado para acontecer, conforme as regras abaixo. 

Das datas do concurso: 

O Concurso será realizado de maneira on-line, começando a partir das 9 horas do 9º dia de janeiro de 2023 e tendo o limite de 9 horas do 13º dia de fevereiro de 2023 para a realização da inscrição/envio do cenário dos participantes. O resultado do concurso será divulgado nas redes sociais da Editora Caramelo Jogos no 20º dia de fevereiro de 2023. 

Da submissão: 

Consideram-se inscritos todos os participantes que submeterem com sucesso o formulário de inscrição com seu cenário através deste endereço: bit.ly/DesafioGygax23 

Para participar, o participante informará seus dados pessoais e concordará com os termos do concurso. 

Cada participante pode participar com 1 cenário de RPG. 

Dos cenários de RPG: 

Os cenários de RPG devem ser enviados na inscrição do evento, contendo até 20 páginas (5.000 palavras). 

A criação de cenários contendo discurso de ódio a grupos étnicos, a religiões, orientação sexual ou que fira qualquer grupo social, será imediatamente desclassificada. 

A Caramelo Jogos não se responsabiliza por qualquer tipo de plágio, e cenários com plágio serão desclassificados. 

Da seleção: 

Com base no número de participantes, serão selecionados 4 cenários para publicação, sendo da seguinte maneira: 

Teremos um cenário escolhido por voto popular e três cenários escolhidos pela comissão organizadora. 

Dos vencedores do concurso: 

Os autores vencedores do Desafio Gygax 23, poderão assinar um contrato com a Caramelo Jogos para a publicação de seus cenários com os seguintes termos: 

1- Os vencedores dividirão 20% do total do financiamento coletivo (5% para cada autor) e receberão 20% dos royalties por venda de cada livro. 

Da publicação: 

Os cenários vencedores serão revisados e lançados em Financiamento Coletivo no Catarse em modo flex em formato digital e físico seguindo os critérios a seguir: 

1- Os cenários serão lançados individualmente, com a adição de artes e layout únicos. 

O formato físico estará relacionado às metas presentes no Financiamento Coletivo. 

Dos casos omissos 

A comissão organizadora tem a palavra final sobre qualquer caso omisso sobre concurso cultural.