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sábado, 8 de fevereiro de 2025

FastPlay com The Maze Controller, da banda de Metal Dungeon Crawl

 E o FastPlay voltou!!!! Dessa vez quem veio falar consco com o The Maze Controller, banda de Thrash Metal Dungeon Crawl com temática RPGística que já lançou os álbuns "Roll for your life" e "Maze Control". Confere aí!

1) Primeiro RPG?

R.   Meu primeiro RPG foi D&D 3.5e. Fui apresentado através da caixa inicial, que minha irmã comprou para mim como presente. Joguei por um tempo, mas não tínhamos ideia do que estávamos fazendo, e não comecei a jogar seriamente até jogar Star Wars Saga Edition com meu irmão e amigos.

2) RPG de Cabeceira?

R. Estou mais familiarizado com o D&D 5ª Edição, mas o Old School Essentials tem despertado muito do meu interesse ultimamente. Eu sinto que tudo, desde o combate até as interações, exploração de masmorras, exploração de hexs, etc, é muito mais simplificado e rápido. Muitas das regras também parecem ter sido deixadas para a interpretação do Mestre, então tomar uma decisão parece mais fácil, e não como se você estivesse folheando intermináveis ​​livros de referência para encontrar a solução. Além de todas essas coisas, o sistema é, em geral, muito mais mortal.

3) Presencial ou Virtual?

R. Definitivamente há algo especial em jogar presencialmente, mas há muito investimento quando se trata de preparação e agendamento. Tenho jogado quase exclusivamente online desde a pandemia, e é muito mais fácil quando se trata de preparar mapas, tokens e agendar um horário para jogar. Mesmo assim acho que algumas das minhas lembranças favoritas de RPG são de quando eu estava jogando pessoalmente, bebendo em uma mesa com amigos.

4) Material físico ou digital?

R. Ter uma cópia física para ler as regras é sempre bom, e acho que seria o que preferiria ter na maioria dos casos. Eu acho que os livros digitais são ótimos para referência de regras em uma mesa usando o celular, desde que o telefone seja usado apenas para esse fim e não como distração de qualquer outra forma. De qualquer forma, caso não consiga baixar uma cópia do livro digital para meu disco rígido, optarei pela cópia física.

5) Uma Classe?

R. Acho que Clérigo é uma das mais flexíveis e possivelmente a minha favorita. Não sou muito minmaxer e quase nunca multiclasse, então prefiro interpretar personagens que são mais orientados para RP e focar nas habilidades. Pelo menos para a 5ª edição, Clérigo cobre todas as bases e pode ser jogado como tanque, dano ou suporte.

6) Teste de atributo?

R. Ter um requisito para ambos as situações é minha preferência. Se um jogador rolar e tiver sucesso no teste, tudo bem, mas ele deve descrever suas ações simultaneamente. Da mesma forma, acho que os jogadores deveriam ser recompensados ​​por terem ideias inteligentes como soluções para problemas e, mesmo que falhem no teste de atributo, deveriam receber algum tipo de benefício por realmente explicarem o que fazem. Obviamente, se rolarem um "1" natural, deverão falhar. Sistemas como o Genesys da Fantasy Flight (originalmente Star Wars RPG) tentam resolver esse tipo de coisa com dados especiais que permitem obter algum tipo de benefício mesmo quando falha em um teste de habilidade.

7) Aventura ou Campanha?

R. Para mim, o cenário ideal é ter múltiplas aventuras desconectadas que possam ser concluídas em 3 a 4 sessões, com alguns personagens/NPCs contínuos e retornos de sessões anteriores. Isto ajuda a alcançar a sensação de um mundo persistente, mas não é vinculativo da mesma forma que uma campanha completa.

8) Aventura Favorita?

R. Até agora, o que mais gostei e que não foi uma campanha ou aventura caseira foi Waterdeep: Dragon Heist (NdE WoTC D&D 5ed) . É curta o suficiente para ser executada em poucas sessões e muito flexível em termos do resultado da história. Eles também oferecem uma sequência de campanha/megadungeon  se você estiver interessado em continuar a história através de livros oficiais!

9) Sessão Inesquecível?

R. Meus primeiros dias como jogador serão sempre os mais memoráveis, jogando com pouco conhecimento e muito entusiasmo com amigos que se interessavam pelo hobby tanto quanto eu. No entanto, recentemente completei uma one-shot com amigos de bandas de Metal que filmamos para uma curta minissérie. Vai se chamar One Shot at Glory, e eu dirigi até Los Angeles (cerca de 6 horas de onde moro) para fazer parte disso. Jogamos e filmamos em uma loja de jogos até as 4 da manhã, e depois voltei para casa durante a noite. Nunca vou esquecer disso, confira!

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Mörk Borg.

11) Sandor "The Hound" Clegane ou Lancelot?

R. Não estou muito familiarizado com Lancelot como personagem, sei que ele foi retratado de muitas maneiras diferentes na literatura, então sinto que não conheço realmente o personagem. Nesse caso, eu teria que votar no The Hound, mas tudo que o conheço é da série de TV Game of Thrones (não li os livros). Ele foi muito legal nisso!

12) Preparar ou improvisar?

R. Ambos. Preparar uma coleção solta de NPJs, interações, eventos e encontros e então improvisar quando seus PJs saírem do roteiro. Acho que preparar demais suas sessões é uma boa maneira de se preparar para a surpresa quando seus jogadores inevitavelmente fazem algo inesperado. Você também não quer atrapalhá-los, preparando-se demais e forçando-os a seguir o que você escreveu.

13) Livro Inspirador?

R. Qualquer coisa de Clark Ashton Smith! Ele é um dos meus autores favoritos e tem muitos contos excelentes de ficção científica e terror. Meu favorito é provavelmente The City of the Singing Flame (NdE 1931).

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. El Corazon del Guerrero é um dos filmes menos conhecidos que me inspirou. É um filme independente espanhol de 2000 sobre um garoto que joga muito Dungeons & Dragons e se desassocia da realidade, acreditando ser seu personagem. É essencialmente a mesma história do filme  de 1982  Mazes and Monsters (NdE no Brasil, Labirintos de Emoções).


quinta-feira, 19 de setembro de 2024

RPG E MÚSICA: New Wave of RPG Metal

A Fantasia já foi inspiração para inúmeros artistas das várias gerações do Metal mundial. Sejam os castelos e dragões clássicos que Ronnie James Dio utilizou em vários de suas músicas, sejam as histórias do bárbaro cimério de onde o Manowar bebeu musical e visualmente em seus shows. O Blind Guardian revisitou clássico após clássico da literatura fantástica, e o Hammerfall cravou os cavaleiros templários no mundo metálico.    

Uma nova geração de bandas levou mais além a conexão da fantasia medieval e a música pesada: referências explícitas aos jogos de RPG começaram a figurar em nomes de bandas, capas e letras de músicas.

Visigoth (@visigothslc)

Apesar de referenciar antigas tribos germânicas, o Visigoth vem de Salt Lake City (EUA) e em seus dois full-lengths pratica um Power/Heavy com instrumental sólido e as vocalizações halfordianas do frontman Jake Rogers.

Se tem dúvida sobre a relação da banda com RPG, dá um confere na faixa "Dungeon Master": www.youtube.com/watch?v=2oclDVweTR4


Dungeon Crawl (@dungeon.crawl)

Os maníacos do Dungeon Crawl vêm da Califórnia e praticam uma Thrash Metal "cortante" (huahuahuah) perfeito pra balançar cabeças e rolar dados. Seu inspirado primeiro álbum se chama "Roll for your life", que além da faixa título traz entre outras "Natural 20" (yeahhhhh!!!). Na capa, um sensacional Cubo Gelatinoso na sua melhor forma.

dungeoncrawlofficial.bandcamp.com/album/roll-for-your-life    


Owlbear 

Com esse nome, é impossível ter dúvida de onde veio a inspiração para a banda formada em Boston (EUA). Praticando um Metal tradicional com vocal feminino, a banda possui além de alguns singles, o full-length "Chaos to the Realm".

owlbearmetal.bandcamp.com


Greyhawk (@greyhawkmetal)

Formada em Seattle, 2016 já lançou dois full albuns, "Keepers of the Flame" e "Thunderheart" e claramente bebe de influências fantásticas, como  demonstrado em faixas como "Drop the Hammer", "Don't wait for the Wizard" e "Spellstone".

greyhawkmetal.bandcamp.com

Achelous (@achelousband)

A banda liderada pelo baixista Chris Achelous possui três full-lenghts. Apesar do primeiro deles se chamar "Macedon", os posteriores se chamam "The Icewind Chronicles" e "Tower of High Sorcery".

Clara é a inspiração de "The Icewind Chronicles", que conta com faixas como "Mithril Hall", "The Crystal Shard" e "Halfling's Gem".

Já o segundo álbum é homônimo de um dos volumes da saga Dragonlance, e títulos que contém Dragon Wings e Istar revelam a provável inspiração na saga que se passa no mundo de Krynn.  

achelous.bandcamp.com/album/tower-of-high-sorcery

Throne of Iron (@throneofironmetal)

A banda de Indiana lançou seu último full-length em 2020, com a belo título de "Adventure One". Os títulos das músicas são fortemente ligados à fantasia, e os RPGistas das velho escola devem notar sem esforço o logotipo da banda, que usou uma das clássicas fontes do  D&D. 

Além disso, há uma faixa lançada em single chamada "Xanathar":

"Into the darkness our party descends 

To the fight

Down to the Underdark, what shall we find

Evil eyes"

www.youtube.com/watch?v=Q9MH5DVcNzk


Gygax 

Infelizmente a banda já encerrou suas atividades... mas impossível deixar de mencioná-la um vez que utiliza o nome do Grão-Mestre dos jogos de RPG. Foi formada na Califórnia e permaneceu ativa de 2015 a 2023, tendo lançado três álbuns. "Critical Hits", "2nd Edition" e "High Fantasy". Praticava um meio termo de Metal tradicional e Hard Rock, como pode ser conferido na inspiradora "Dice Throwers and Rock'n' Rollers":  www.youtube.com/watch?v=WmOqhOmxW2s




Enquanto pesquisando na internet, encontrei essa matéria no blog New Noise Magazine de 2021, que trata exatamente de algumas dessas bandas novas de Metal e RPG, com entrevistas e um papo também com o Luke Gygax: newnoisemagazine.com/column/when-dungeons-and-dragons-and-heavy-metal-collide-the-intersection-of-gaming-and-music-part-1-of-3/

E aí, conhece mais bandas que se inspirem em RPGs? Manda aí pra eu dar uma sacada no @dadosecanecas! 


quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

LITERATURA FANTÁSTICA E MÚSICA: Álbuns inspirados por livros Parte 1

Desta vez a postagem que junta no mesmo caldeirão música com Fantasia e Ficção Científica, vai tratar de álbuns conceituais que se baseiam em um livro específico. Tentei buscar esses álbuns nos mais diversos gêneros, mas acabou que meus achados voltaram a rondar o Heavy Metal e o Rock Progressivo. Ah, e esse é o primeiro post dessa série, pelo menos uma segunda parte vai sair.

Bom, espero que vocês curtam. 

Abrindo o artigo, na minha opinião o maior tecladista de todos os tempos, Rick Wakeman e o seu Jouney to the Centre of the Earth. Inspirado pela obra Viagem ao Centro da Terra de Júlio Verne, a gravação do álbum foi realizada "ao vivo" em 18/01/1974 no Royal Festival Hall em Londres. O mago dos teclados incluiu o Brasil em sua agenda de shows baseados no álbum, e em 1975 o público brasileiro pode testemunhar a Viagem de Wakeman Viagem acompanhado pela Orquestra Sinfônica Brasileira.

O Symphony X gravou Paradise Lost inspirado na obra Paraíso Perdido, de John Milton. O poema do século XVII narra as penas dos anjos caídos após a rebelião no paraíso, o ardil de Satanás para fazer Adão e Eva comerem o fruto proibido da Árvore do Conhecimento, e a subsequente Queda do homem. 


A maior banda de Metal do Brasil, o Sepultura, lançou em 2009 A-Lex, álbum baseado na obra Laranja Mecânica de Anthony Burgess. O filme homônimo dirigido por Stanley Kubrick e estrelado pelo sensacional Malcolm McDowell chegou a ser proibido no Brasil na época.

Baseado no livro de mesmo nome do gênio da ficção científica Arthur C. Clarke, o multi-instrumentista Mike Oldfield lançou em 1994 The Songs of Distant Earth.

E pra fechar, eles não poderiam estar fora desta lista: Blind Guardian com Nightfall in Middle Earth. O meu CD favorito dos alemães, é baseado inteiramente no Silmarillion, do eterno mestre JRR Tolkien.

Curtiu? Lembrou de algum álbum que eu deixei passar? Tem alguma sugestão? Vamos trocar uma ideia pelo mpaugusto1969@gmail.com ou aqui mesmo nos comentários.

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

RPG E MÚSICA: Artistas que curtem o hobby

Nos últimos anos Dungeons&Dragons voltou a figurar na grande mídia, felizmente desta vez distante do que ficou conhecido como “pânico satânico”, onde movimentos conservadores norte-americanos acusaram e perseguiram não só o jogo, mas artistas musicais e programas de televisão que foram apontados como ferramentas de recrutamento de crianças e adolescentes a “cultos satânicos”.  

Jogos de RPG, que por muito tempo permaneceram relegados a hobbies de comunidades restritas, começaram a ganhar visibilidade e a serem associados a personalidades das mais diversas áreas de atuação. 

Então, o objetivo deste post é reunir artistas da indústria musical que já declararam seu amor por jogos de RPG e assemelhados. Bora lá!    

Para o primeiro da lista, escolhi o Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine e Audioslave, e que faz parte da mesa de celebridades mestrada pelo ator de Hollywood Joe Manganiello, que por sua vez se tornou uma das celebridades com voz mais ativa em prol do D&D. O personagem de Morello é o anão Kimathi Stormhollow, que inclusive ganhou uma ponta no filme de D&D “Honra Entre Rebeldes”, sendo personificado pelo próprio guitarrista.    

Outro que já declarou seu amor pelo jogo é o guitarrista e líder da rock band Weezer, Rivers Cuomo. O seguinte diálogo rolou numa entrevista à revista Rolling Stones em 2001: 

“Entrevistador: Como um fã do Weezer que teve sua fatia de tempo com dados de 20 lados, gostaria de te perguntar: que tipo de personagem você joga em Dungeons&Dragons?  

Cuomo: Eu giro em torno de, uh... elfo ou meio-elfo, algo com destreza alta... um guerreiro-ladino talvez?” 

Um dos itens de merchandise que esteve disponível numa tour do Weezer há poucos anos, foi um conjunto de dados como o logo da banda. 

Agora vamos para o lado mais pesado da força... 


O finado vocalista Trevor Strnad, da banda americana The Black Dahlia Murder, era um fã declarado de D&D, que levou sua admiração até seus discos, mas não apenas na forma de música... Na edição limitada de seu álbum de 2020, Verminous, a banda incluiu um módulo exclusivo para Dungeons&Dragons 5E baseado na faixa-título e na sua capa, chamado The Depths of Drasted. 

Ainda na linha dos vocais guturais, o icônico George “Corpsegrinder” Fischer do Cannibal Corpse já declarou sua paixão pelo RPG de computador Warcraft. “Tenho um laptop no hotel para World of Warcraft, uso quatro contas [no jogo]. Não estou brincando, esse jogo é tudo para mim”. 

Fã declarado da Horda, uma das facções de Warcraft, Gorge “Corpsegrider” chegou a ganhar da Blizzard, produtora do jogo, um NPC com seu nome, mas que acabou sendo renomeado após uma declaração extremamente infeliz direcionada a seus oponentes da Aliança. 

Da Inglaterra, a máquina esmagadora de ossos Bolt Thrower, infelizmente aposentada, trouxe em alguns de seus álbuns artes produzidas pela equipe da Games Workshop, a celebrada editora da linha Warhammer. 

Alguns dos membros do grupo eram ávidos jogadores de Warhammer, sendo que há relatos na internet de que o vocal Karl Willetts, atualmente no Memorian, comandava em batalha um exército de Elfos Negros. 

Ainda na trilha do Heavy Metal, a banda californiana Gygax homenageia simplesmente o criador Gary Gygax, e além das músicas, as capas dos álbuns são diretamente inspiradas no D&D. 

Pra fechar, o astro Jack Black que além do seu Tenacious D , faz uma participação especial no projeto Probot do Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters). O professor de “Escola do Rock” participa frequentemente de mesas e eventos de caridade, como a da Deborah Ann Woll, Lost Odyssey: Promised Gold. 

terça-feira, 20 de junho de 2023

LITERATURA FANTÁSTICA E MÚSICA: A inspiração de Duna de Frank Herbert

Desta vez, nossa pesquisa músico-literária vai nos levar a explorar os universos longínquos da Ficção Científica.

Reaquecida com a versão cinematográfica de Denis Villeneuve (2021), a saga Duna de Frank Hebert retornou merecidamente aos holofotes. Já tendo sido adaptada para as telonas por David Lynch em 1984, contando inclusive com a participação do astro musical Sting, a série literária que originalmente possui seis volumes, se estendeu a mais de vinte livros depois que Brian Herbert assumiu o legado do pai.  

E daqui, seguimos para uma "trilha sonora não-oficial" para acompanhar a leitura.

Pra começar, Iron Maiden com To Tame a Land. Presente no clássico Piece of Mind. Reza a lenda que a banda chegou a contatar o Hebert pai pedindo autorização para usar o nome Dune na canção, mas, não sendo muito afeito a guitarras distorcidas e bateria pesada, o autor declinou do pedido. A faixa então foi batizada com um título que remete ao tema central da saga e virou clássico. Uma pena que não tenha aparecido muitas vezes nos shows da banda.

Os alemães do Blind Guardian, até que me provem do contrário a banda que mais utilizou referências de Fantasia e Ficção Científica em toda a carreira, nos brinda com duas canções inspiradas em Duna, Banish from Sanctuary (do Follow the Blind) e Traveller in Time (do Tales from the Twilight World).

Depois de ter cometido uma injustiça com o Domine no post sobre Michael Moorcock, tinha a obrigação de incluir os Power Metallers italianos neste texto. E olha eles aí então! True Leader of Men figura no álbum Stormbringer Ruler - The Legend of the Power Supreme, e de cara começa com o empolgante grito de "Long live the Fremen warriors!!!" 

O virtuoso e multi-projetos guitarrista holandês Arjen Lucassen, mais conhecido por sua banda Ayeron que em cada lançamento conta com times de peso de diferentes vocalistas para contar as histórias dos álbuns, em seu outro projeto Star One gravou a faixa Sandrider, baseada na saga de Frank Herbert. A primeira estrofe é assim:

"I have seen visions in a waking dream

I have seen places man has never seen

Am I the one to fulfil the prophecy

On the desert planet in our galaxy"

("Eu tive visões em um sonho acordado

Eu vi lugares que o homem nunca viu

Eu sou o único a cumprir a profecia

No planeta deserto da nossa galáxia")

Para não dizer que só cito Metal, mas ainda no terreno dos guitarristas, o genial jazzista David Matthews lançou em 1977 o álbum Dune, repleto de faixas mais que inspiradas com os sugestivos títulos Song of the Bene Gesserit, Muad'dib, Sandworms e Arrakis, além de outras baseadas em Star Wars.

E pra fechar, uma banda mais moderna: Dvne (com "v" mesmo). Oriunda da Escócia, pratica um Progressive Post-Metal cujas letras, apesar de não parecerem ser diretamente inspiradas na saga, têm como tema central a Ficção Científica.

Vida longa aos guerreiros Fremen!!!!




sábado, 20 de maio de 2023

LITERATURA FANTÁSTICA E MÚSICA: Michael Moorcock e o Heavy Metal

Michael Moorcock é bastante conhecido como um dos ícones da literatura fantástica não só por sua aclamada e influente saga do mítico Elric, o príncipe albino da Melniboné  e sua espada Stormbringer, como pelas demais encarnações do Campeão Eterno em seu multiverso, principalmente com Corum e Hawkmoon.  

Um elemento de destaque na literatura de Moorcock é o embate entre as forças cósmicas da Ordem e do Caos, que certamente teve importante influência no conceito de Alinhamentos, amplamente utilizados nos mais diversos sistemas de RPG.   

Também há de ser lembrado a figura do Patrono, no caso de Elric, o demônio Arioch, que diferente de uma divindade é um tipo de entidade com o qual mortais barganham, ambos os lados buscando alguma espécie de conhecimento ou poder. Os Patronos têm uma participação de destaque no DCC RPG, onde é possível fazer alianças e pedir sua intervenção.

Além de popularizada em HQs, formato para o qual vários trabalhos de Moorcock foram adaptados, o autor acabou por servir de inspiração a diversos artistas da música, especificamente no meu caso, a grupos de Heavy Metal.   


Moorcock pessoalmente este envolvido e contribuiu com letras para os dinossauros dos anos 60 e 70 Blue Oyster Cult e Hawkwind, este último que contou em uma de suas formações com o imortal Lemmy, líder do Motörhead. 

Apesar no nome vir da obra de Tolkien, o americano Cirith Ungol tem por tradição utilizar em suas capas artes que retratam Elric, algumas delas de autoria do Michael Whelan e que estamparam edições de novelas do personagem. Apesar de não me recordar de músicas da banda onde o personagem seja diretamente citado, a grande maioria de suas composições trata de universos fantásticos, vide “Frost and Fire”, “King of the Dead”, “The Troll”, “Master of the Pit”, “Blood and Iron”, “Chaos Descends” e assim por diante. 

Também dos EUA só que mais moderno, o Eternal Champion retirou sua alcunha diretamente da obra de Moorcock. Praticante de Heavy Metal tradicional com uma pegada épica, capas e letras das músicas são totalmente inspiradas na literatura fantástica, vide títulos como “I am the Hammer”, “The Cold 
Sword”, “Shade Gate”, “War at the Edge of the End”, etc. 

Contemporâneo ao Iron Maiden e também parte da New Wave of British Heavy Metal, movimento inglês que marcou os anos 80, o Tygers of Pan Tang possui clássicos obscuros em sua discografia e revelou o talentoso John Sykes, guitarrista que figurou numa das mais poderosas formações do Whitesnake. Apesar de não possui elementos de fantasia em suas composições, o nome da banda veio da saga de Elric, onde Pan Tang é uma nação insular pertencente aos Reinos Jovens, e cuja população é formada por adoradores do Caos. 

E pra fechar este post, não poderia deixar de fora o Blind Guardian, talvez a banda de Metal que mais citações fez em suas músicas sobre clássicos da literatura fantástica. Nesse caso “The Quest for Tanelorn” e “Tanelorn (Into the Void)”, que tratam da cidade de mesmo nome, chamada também de A Cidade Eterna ou A Cidade da Neutralidade. Na obra de Moorcock, Tanelorn existe no centro do multiverso, e de uma forma ou outra se manifesta nos diversos mundos.  


Bom, esse é o primeiro post sobre música no blog, e se você tem alguma crítica ou sugestão para as próximas sequências, me dá um toque através do mpaugusto1969@gmail.com. 







                Cirith Ungol ao vivo no Festival Setembro Negro em SP, 2019.