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quinta-feira, 19 de junho de 2025

FastPlay com Diego Bassinello, da Luz Negra Editora e autor de Conspirações RPG e Breu RPG.

Grande prazer em bater esse papo com o Diego Bassinello, apaixonado pelo nosso hobby e companheiro de copo, kkkk. 

O homem ficou animado, saca o que ele tem a dizer:

"Cara, antes de mais nada, eu quero te agradecer por me mandar essas perguntas aí. É sempre legal responder esse tipo de coisa, porque faz a gente lembrar, né? São coisas que vão ficando na história da gente jogando RPG, e quando a gente vai responder esse tipo de coisa, é muito legal, porque você se pega lembrando de coisas que foram maravilhosas."


1) Primeiro RPG?

R. "Cara, meu primeiro jogo de RPG é uma coisa meio difusa pra mim, porque eu devo ter jogado alguma coisa quando fui na Forbidden Planet pela primeira vez, que foi onde eu comecei a jogar. Mas o que eu me lembro — e é o que eu considero minha primeira sessão de jogo — foi uma sessão de GURPS com um cara chamado Roglison, que mestrou pra mim e pra dois amigos.

Eu lembro que foi uma sessão totalmente improvisada. A gente começou numa cela de barro, sem equipamento nenhum — aquela coisa de começar o jogo sem precisar se preocupar com equipamento e tal. Então você bota todo mundo pelado numa cela e vai! Sem nada.

E essa sessão é muito memorável pra mim. O Roglison foi um cara muito importante, porque foi meu primeiro contato com essa dinâmica de mestre e jogador, de ver como funcionava de verdade uma mesa. Ele já faleceu — faleceu muito jovem — e é um cara por quem eu tenho um carinho imenso por muitas coisas. A gente era amigo em vários âmbitos, mas, principalmente, tenho muito carinho por ele ter me apresentado e mestrado a primeira sessão de jogo de que eu realmente me lembro."  

2) RPG de Cabeceira?

R. "Putz, cara, a coisa é meio autorreferencial, mas hoje meus RPGs de cabeceira são os que eu escrevi. A gente joga muito Conspirações aqui, joga muito BREU aqui em casa.

Mas saindo da área autorreferencial, eu acho que o Cthulhu Dark (NdE. por Graham Walmsley) — aquele papelzinho, uma folha frente e verso — é um puta jogo inteligente, foda, que me inspirou demais quando escrevi o Conspirações.

Outro é Todo Mundo is Zé — acho que é Everybody is John no original (NdE. por David Villegas e Christopher Witt, Games Nation Studios) — que também é só uma folha, só um lado, e é um jogo inteligente pra caramba, super divertido de jogar. Porra, maluquice garantida na mesa.

Acho que também não dá pra deixar de falar de D&D, dos primeiros principalmente — do BX, do Lamentations of the Flame Princess, que foi um puta retroclone inteligente do D&D — e de outros OSR, como Knave, Maze Rats, Into the Odd. Eu acho que são jogos que me inspiraram muito em muitas coisas, tanto pra jogar — coisas que eu gosto de jogar — quanto pra escrever. Então acho que é isso."

3) Presencial ou Virtual?

R. "Putz, o lance do presencial e do virtual, pra mim, são experiências tão distintas que nem dá pra dizer qual eu gosto mais.

O presencial é maravilhoso porque você tá com teus amigos, né? Normalmente na casa de alguém, e aí vira muito mais do que o jogo. Vira um evento, um encontro. Pelo menos aqui em casa é assim: a galera conversa de tudo. Tem dia que a gente marca jogo e acaba nem jogando, porque a conversa vai tão longe que a gente desencana. E tem dia que a galera chega, a gente já cai no jogo e joga 5, 6 horas direto. Vira um rolê completo — pede comida, joga videogame, assiste filme... É uma coisa muito além do RPG, mas o RPG é o que une todo mundo ali.

O virtual é muito mais prático em vários sentidos — até pela mídia. É uma coisa mais direta: chega, joga. E normalmente você vai ter mais foco no jogo, né? Meio que vira: 'estamos aqui pra isso'. Então os dois funcionam.

Agora, se for pra escolher só um, tipo 'só pode fazer um pro resto da tua vida', aí eu escolho o presencial, naturalmente. Acho que é a experiência mais relevante pra um jogo de RPG.

Mas o virtual é uma ferramenta maravilhosa. Você pode jogar com amigos que estão longe, com quem você não consegue estar fisicamente. E nesse ponto, o presencial não dá conta. Jogar com o Raul, por exemplo, que mora em São Luís, no Maranhão. Jogar com o Ste, que mora no Prado, lá na Bahia. Com o Fellipe, que mora em Ribeirão Preto. A gente consegue se juntar como se estivesse junto mesmo, trocar aquelas horas de convivência.

Então acho que são duas coisas muito distintas. Eu não gostaria de ter que escolher só uma."

4) Material físico ou digital?

R. "Ah, velho, sempre material físico, né? Por mais que o PDF seja legal — que você tem acesso em qualquer lugar e tal —, não dá pra descolar o colecionismo do RPG, né?

A gente gosta de livro. A maioria dos RPGistas são pessoas que gostam de livros, gostam de colecionar, gostam de usar, gostam de ler e tal. Então, sem dúvida alguma, material físico, pra mim, ainda é o ideal pra um livro de RPG."

5) Uma Classe?

R. "Esse da classe me pegou. Eu acho que eu gosto de todas, cara. Me divirto com todas.

Quando eu era mais moleque, jogava muito de clérigo. Jogava bastante AD&D, segunda edição, e o clérigo era minha escolha. Depois fui alternando entre guerreiro e clérigo — até porque meus clérigos eram sempre meio guerreiros, né? Eu sempre fazia multiclasse.

Hoje em dia, curto muito jogar com mago. Principalmente dentro do viés OSR, em que a magia acaba tendo uma importância muito maior. Você realmente consegue mudar o rumo das coisas. Uma magiazinha ali já vira o jogo.

Atualmente eu tô jogando com um Especialista em BREU. O Ladino, o Ladrão — enfim, no BREU é o Especialista, como era no Lamentations of the Flame Princess. E tá bem divertido também.

Mas eu gosto de todas. Jogava muito de bardo também. E bardo é legal porque é o faz-tudo, né? Ele briga, solta magia, canta, dança, sapateia... Jogava muito de bardo também.

Mas é isso: eu gosto de todas, cara. Me divirto com qualquer uma."

6) Teste de atributo?

R. "Cara, eu vejo o teste de atributo como uma ferramenta. Só que, nas edições atuais do D&D — e em muitos outros jogos também — é uma ferramenta que passou a ser usada pra qualquer coisa, o tempo inteiro.

Então acabou que a galera da OSR pegou uma raiva, um ranço, e hoje em dia deixou o teste de atributo meio de lado.

Mas, no fim das contas, é uma ferramenta. É algo que, na hora ali, enquanto você tá mestrando, pode fazer sentido usar — um teste de atributo simples, ou até um teste disputado com outro jogador e tal.

Não acho que seja um problema, não. Eu uso muito pouco, mas quando uso é porque não tem outra solução à mão, e aquela ali parece ser a mais condizente com a situação."

7) Aventura ou Campanha?

R. "Sempre campanha. Sempre campanha.

É uma coisa que eu acho bem comum em todos os RPGistas que eu conheço: a maioria prefere aquele jogo contínuo, onde você consegue viver muita coisa com o personagem — ou com mais personagens, dependendo do tipo de jogo — em várias situações diferentes. Então, sempre campanha mesmo.

Eu sempre tento iniciar campanhas. Mesmo as campanhas do canal, da Câmara Obscura, são mais longas, porque eu sempre me despreocupei com esse lance de 'ah, quem tá assistindo, vai demorar', ou 'vai pular episódio'. Porque às vezes não dá pra jogar uma sessão numa semana e acaba pulando. Mas, ainda assim, sempre campanha. É o que eu mais gosto de fazer.

Campanha ou one-shot. Um one-shot é legal pra testar coisas — regras malucas, cenário maluco, coisas fora do comum, só pra ver como as ideias funcionam. Às vezes, até surge uma ideia nova no meio disso. Mas no ideal? Campanha, sempre."

8) Aventura Favorita?

R. "Aqui eu vou ser um pouco autorreferencial de novo. Eu gosto muito do que a gente fez no D&D Moleque, com o Lost City, o Balbi mestrando, eu jogando com o Tertoleone, o João, o Carlinhos Malvadeza... Foi muito, muito legal.

E aí eu tenho campanhas da minha mesa pessoal também. Teve uma campanha muito longa de Ars Magica que durou oito anos. Acho que a campanha mais memorável que eu tenho é essa.

Chegou a ter sessões com vários personagens ao mesmo tempo — tipo, dez pessoas jogando — e também sessões menores, com duas ou três pessoas. Mas foram oito anos de campanha, mais de duzentas sessões fácil. Foi muito legal."

9) Sessão Inesquecível?

R. "Essa foi uma sessão de Lenda dos 5 Anéis que eu joguei na minha casa com dois amigos: o Yan, que estava mestrando, e o Djalma, que jogava comigo. A gente jogou, acho que, umas 10 horas direto.

Eu morava com um primo meu na época, a casa era pequena. A gente começou jogando na sala, aí meu primo chegou e a gente foi pro meu quarto — sentou todo mundo em cima da cama e ficou jogando ali mesmo.

Foi uma sessão bem singela. Se passava numa vila bem afastada de toda aquela política dos Daimyos e tal. Mas tinha uns ataques de ninjas — só que nada daquela coisa de ninja farofa. Ninja era ninja mesmo: você nem vê o cara, e começa a morrer gente. A gente tentando segurar a onda... Meu personagem era filho do Daimyo da vila, que morreu. E aí, em determinado momento, a gente se deu conta de que ele tinha virado o Daimyo. Foi muito legal.

Uma sessão muito memorável. Deve ter rolado faz uns 15 a 18 anos, fácil. Faz bastante tempo."

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. "Cara, tem dois jogos que eu nunca joguei e que eu sempre tive muita vontade de jogar. Um deles é o HOL — Human Occupied Landfill (NdE. por Todd Shaughnessy, Daniel Thron e Chris Elliott, Black Dog Game Factory), que é um jogo punk pra caralho. Ele é todo feito à mão — você abre o livro e ele é todo escrito à mão, uma loucura. As ilustrações são malucas, e o jogo é bem edgy, bem extravagante.

Outro é o Paranoia (NdE. por Greg Costikyan, Dan Gelber, Eric Goldberg e Allen Varney, Mongoose Publishing) que eu também nunca joguei, mas sempre tive curiosidade pra saber como é. Eu sei muito pouco sobre ele, mas sempre me atraiu esse clima meio absurdo, distópico e cheio de regras contraditórias.

Ah, e Troika! (NdE. por Daniel Sell, Melsonian Arts Council) também! Troika! é um jogo que eu nunca joguei e queria muito jogar. Parece ter um cenário super evocativo, bem weird, bem surrealista."

11) Merlin ou Elminster?

R. "Mano, Merlin ou Elminster? Eu não sei.

Quando eu jogava AD&D, a gente jogava muito em Forgotten Realms, né? Mas o Elminster nunca apareceu nas nossas mesas. Ele era sempre uma referência nos livros — aquele mago ultra poderoso, mago supremo, que já fez de tudo: casou com deusa, foi pra tudo quanto é plano, enfim.

O Merlin eu conheci desde criança, com essa ideia de ‘o mago’. Acho que todos os magos da fantasia europeia acabam vindo dele, apesar de ele estar mais alinhado com os celtas, né? Um rolê mais xamânico. Mas no livro O Rei do Inverno, do Bernard Cornwell, o Merlin é muito legal. Muito, muito legal mesmo.

Ali ele é bem mais ritualístico, não é aquele lance de magia pirotécnica, e você nunca sabe se o que ele faz é realmente magia ou só a religião dos caras, manipulação, teatro — e isso é maravilhoso. A forma como o Cornwell escreve o Merlin é sensacional.

Mas sinceramente? Nenhum dos dois. Se eu tiver que escolher um mago — e acho que não vai ser surpresa pra ninguém — seria o John Constantine, na época do Jamie Delano, nos primeiros Hellblazer. Esse é o mago que eu escolheria. Ou qualquer um da Brigada dos Encapotados."

12) Preparar ou improvisar?

R. "Velho, eu não sei preparar aventura até hoje, sinceramente. Já tentei de várias formas. Já tive sucesso em alguns momentos, mas a maioria das vezes eu tirei aquele 1. 

Como eu gosto muito de aventura de investigação, eu preparo pelo menos o que as pessoas vão investigar. Então, normalmente, eu defino o que aconteceu e vou voltando no tempo, pra montar os elementos que vão estar ali no jogo.

Mas eu não preparo pistas — eu preparo elementos. Eu sei o que aconteceu, e, se os personagens estão num lugar relevante, eu vou decidindo — normalmente de forma aleatória — se tem uma pista ali ou não. Tipo: uma mancha de alguma coisa, um papel esquecido, uma testemunha, uma conversa mal escutada... esse tipo de coisa.

Pra aventura mesmo, eu costumo fazer uns bullet points com o que tem em cada lugar. Bem simples. Só anoto o que tem ali. E o resto é na loucura: 5% de preparação e 95% de improviso. Sempre. Isso mais pra primeira sessão, né? Depois que os jogadores já mostraram o que eles querem, o que chamou a atenção, fica mais fácil preparar.

Aí eu continuo desenvolvendo o mundo ao redor — o que tá acontecendo fora da visão deles, que pode ou não cruzar o caminho. E também aprofundo aquilo que eles estão indo atrás. Tipo: se eles decidem ir pra uma cidade que eu só mencionei o nome, eu vou lá e preparo melhor a cidade: invento uns NPCs, situações rolando ali, como funciona a política, a economia... esse tipo de coisa.

Mas preparação, preparação mesmo, acho que eu só fiz quando escrevi os Casos Conspiratórios do Conspirações, e agora pras aventuras que vou lançar pra Breu e pros outros jogos nossos. Aí sim entra a preparação ideal: tudo esmiuçado, com variações pensadas, com caminhos alternativos e tal.

Mas no fim das contas, preparação ainda é um enigma pra mim. Eu não cheguei num formato perfeito que funcione 100% em mesa. Sempre me pego no contrapé enquanto tô mestrando. “Putz, não pensei nisso.” “Putz, faltou aquele NPC.” Mas é isso: vai indo. É igual aquele jogador de sinuca que acerta uma bola cagada e vai pra próxima jogada com cara de quem sabia o que tava fazendo. É isso."

13) Livro Inspirador?

R. Bom, essas duas últimas perguntas me tomaram um belo tempo aqui procurando referências, tentando lembrar das coisas e não vai dar pra falar só um, então eu peço desculpas aí pra quem esperava uma leitura mais curta, mas vamos lá. 

Sobre RPGs, os D&Ds antigos e o que eu acho que é o principal retroclone deles, o Lamentations of the Flame Princess. 

O Ars Magica, com certeza, acho que é o único jogo crunch que hoje eu ainda aceito jogar, porque todas as mecânicas, o cenário, tudo ali dentro funciona muito bem. 

Já indo ali pro lado da galera da Forge e coisas um pouco mais atuais. O The Indie Hack é um livro que me inspirou demais, junto com o Cthulhu Dark. Isso dá pra ver muito bem no Conspirações, pra onde eu levei muita coisa deles. 

Aí a gente tem que falar de Knave e Mothership, que foram os dois OSR que eu elenquei pra colocar aqui, que eu acho que são os mais relevantes pra mim. 

O UVG, Ultraviolet Grasslands, que tem um viés mais contemplativo, de seguir uma história, ter um lugar pra chegar, que é muito legal. 

A nova edição do Kult é um tesão pra jogos de terror, apesar de eu achar que às vezes ela é um pouco limitada em relação ao escopo, assim como Call of Cthulhu. No Call of Cthulhu todo mundo vai lá ver um grande antigo e enlouquece, e no Kult todo mundo acaba rasgando o véu. Eu acho que tem muitas outras formas de jogar esses jogos, de forma a aproveitar melhor todo o arcabouço de texturas e coisas que eles trazem pra mesa, mas os dois são grandes inspirações. 

Três brasileiros que, cara, são muito inspiradores: O Espadas Afiadas e Feitiços Sinistros é um puta OSR brasileiro, o Diogo Nogueira mandou bem demais. Ainda na OSR, mas já num outro viés, o Infærnun, dos meninos da Campfire, fodido demais. E Terra Devastada, que é um que é muito legal, tem um viés mais narrativo, que você vai levando a história e ela vai mudando o personagem, eu acho muito bacana. 

Tem três PbtAs que eu gosto muito. O Apocalipse World, que deu vida aos jogos PbtA e que abriu essa mecânica pra uma infinidade de livros.

O Sombras Urbanas, que apesar de eu achar um jogo muito difícil de mestrar, porque você tem que lembrar de muita coisa como mestre, tem um cenário muito evocativo com aquela mistura de criaturas sobrenaturais, que é muito bem feita. 

E o Desmortos, que eu acho brilhante, eu acho que o Desmortos é tudo o que o Vampiro: A Máscara queria ser, e não conseguiu. 

De livros não RPG eu separei cinco aqui. 

O Poder do Mito, que é uma entrevista do Joseph Campbell com um jornalista chamado Bill Moyers, falando sobre o trabalho do Joseph Campbell em Mitologia, e é fantástico. 

O Ragakure, que são as últimas memórias de um samurai, que já na era Meiji, em que os samurais não tinham mais o que fazer ali, eram uma classe em decadência, esse cara, por não ter podido cometer seppuku, se tornou um monge e se isolou. O Ragakure é um apanhado de memórias que um pupilo dele passou sete anos documentando em inúmeras conversas. Bem bacana. 

O Lobo da Estepe, do Herman Hesse, é um livro que eu li já três vezes, cada uma dessas vezes com dez anos entre elas, e que cada vez que eu leio, mais eu entendo o que ele quer dizer, é um puta livro.

1984, que apesar de ter sido escrito com um viés bem diferente do que é interpretado, na verdade o George Orwell estava criticando pesadamente a União Soviética ali, ainda tem muita coisa ali para ser tirada em relação a como é uma distopia, como o governo vira uma distopia e tal, é muito rico nisso. 

E, cara, todos os livros do Bernard Orwell, com um espaço especial aqui para O Rei do Inverno, que é a visão dele do ciclo arturiano e de como as fábulas arturianas poderiam ter acontecido, isso contado de uma forma muito mais pé no chão; e Azincourt. Os dois são  muito bons.

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Bom, pra última aqui, vamos lá. 

Eu separei ela em quatro tópicos: investigação e espionagem, terror, ficção científica e um mais maluco, que são as coisas mais fora de gênero. Medieval eu nem coloquei porque todo mundo já tem muita referência, então pulei essa parte.

Investigação e Espionagem

De série, Arquivo X com certeza é uma das principais. Foi um marco tanto pra época quanto pro gênero, principalmente nas primeiras nove temporadas — da primeira até a sexta é excelente, a sétima e oitava já caem um pouco, a nona é fraca, e a décima e a décima primeira a gente nem precisa falar.

Uma trinca de séries de espionagem que eu acho excelentes são Homeland, The Americans e The Agency — essa última acabou de sair com o Michael Fassbender. São três séries pesadas, que mostram os meandros da espionagem, os dilemas, tudo muito bem feito.

E a série que eu mais gosto, entre todas, é True Detective — mas só a primeira e a terceira temporadas. A segunda e a quarta não existem... é tudo mentira, são só obras do caos televisivo. Podem pular essas.

De filmes investigativos, 8mm com Nicolas Cage, que é um thriller muito pesado, muito bem feito. Seven, que todo mundo conhece, de 1995, que até hoje é atual e forte. Conduta de Risco, dirigido pelo Tony Gilroy — Que acabou de filmar Andor — e é com George Clooney. Um filmaço. E sobre espionagem, especificamente, o filme O Espião que Sabia Demais, com Gary Oldman — o filme de espionagem que eu mais gosto.

Terror

The Void, um filme indie bem esquisitão e muito Lovecraftiano, muito legal. Martyrs (a versão francesa de 2012) — um filme que não é nada fácil de assistir, fica o aviso. E um que foi uma surpresa pra mim e pros meus amigos, aqui em casa: Blood Vessel (Navio de Sangue). Muito bom, não vou nem falar nada pra não estragar, só assistam.

De série, todas são do Mike Flanagan: Mansão Hill, Mansão Bly e Missa da Meia-Noite. Misturam drama e terror muito bem, sem perder nada de nenhum dos gêneros.

Ficção científica

Tem um filme de 1997 chamado Nirvana, com o Christopher Lambert. Um filme que passou batido pra muita gente, mas é muito bom. Fala de realidade virtual e tem um clima distópico legal. Dark City (1998), um filmaço que pra mim é obrigatório. E A Chegada, do Denis Villeneuve, um dos melhores filmes sobre extraterrestres que eu já vi.

De série, Fringe (2008–2013), que lida com ciência de borda, é excelente. Black Mirror, principalmente as quatro primeiras temporadas e a sexta (essa última foi muito boa). E Dark, que é uma piração com viagem no tempo.

Maluquices

Três filmes: Vivarium, que é recente e muito opressivo, difícil até de explicar, mas vale assistir. Identidade, com John Cusack, é um thriller com uns elementos surreais bem interessantes. E Mad God, uma animação em stop motion sem falas, só com sons — uma loucura visual absurda. 

De série, Midnight Gospel, que é uma animação da Netflix baseada num podcast. Tive que ver um episódio por dia, porque é mais maluca que o Millei falando com o cachorro morto dele. Ruptura (Severance), que muita gente conhece — ideia brilhante, super bem explorada, estética minimalista muito boa. E, pra fechar, Departamento de Conspirações, uma animação da Netflix que é super divertida e que, mesmo sendo zoeira, tem muita coisa legal pra se inspirar e até pensar o mundo.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

FastPlay com Chris Gonnerman, autor de Basic Fantasy RPG

E dessa vez trazemos o autor Chris Gonnerman, autor de Basic Fantasy RPG. Confere a conversa.

1) Primeiro RPG?

R. Moldvay/Cook/Marsh B/X D&D.

2) RPG de Cabeceira?

R. Basic Fantasy RPG (se você esperava outra resposta...)

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial, mas virtualmente é muito melhor que nada.

4) Material físico ou digital?

R. Físico.

5) Uma Classe?

R. Todas as classes são válidas. Divertidas também, se você as jogar corretamente. 

6) Teste de atributo?

R. Raramente, mas eu uso bônus de atributos com Jogadas de Proteção.

7) Aventura ou Campanha?

R. A única resposta razoável é "sim".

8) Aventura Favorita?

R. Não consigo escolher uma. Simplesmente não consigo. Tem várias muito boas.

9) Sessão Inesquecível? 

R. Final (parte 1) da minha campanha de vinte anos, concluída ano passado.

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Traveller. Joguei uma vez, uma sessão, há quarenta anos, mas não acho que o Mestre fosse muito bom.

11) Legolas or Grey Mouser?  

R. Grey Mouser, sempre.

12) Preparar ou improvisar?

R. Preparado para improvisar.

13) Livro Inspirador?

R. Nine Princes in Amber (NdE. 1970, por Roger Zelazny, o primeiro da série Chronicles of Amber).

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Farscape.


sábado, 5 de abril de 2025

FastPlay com Jonathan Britton, DM do canal 3d6 Down The Line

Muito legal a oportunidade de conversar com o Jon Britton, o DM do canal do YouTube 3d6 Down The Line (www.youtube.com/@3D6DTL), de quem eu venho assistindo a exploração de The Halls of Arden Vul. Aproveitando a oportunidade, se você está procurando um stream de RPG old school e uma aula de mestragem e exploração de mega-dungeon, confere esse canal que não vai se arrepender.

Mas vamos ver o o que o Jon tem a dizer: 


1) Primeiro RPG?

R. D&D Basic de 1983 (a caixa vermelha de Mentzer). Eu a peguei em 87, quando eu estava na 6ª série, depois que um amigo que se mudou para a rua acima me apresentou ao jogo. Ela explodiu minha jovem mente.

2) RPG de Cabeceira?

R. É difícil definir, mas provavelmente Old-School Essentials (NdE. No Brasil agora pela LaserHead Press). Na minha opinião, B/X é a destilação perfeita do que D&D faz bem, e isso foi perfeitamente reafirmado para o público moderno no OSE.

3) Presencial ou Virtual?

R. Não há melhor experiência de TTRPG do que estar pessoalmente com amigos em volta de uma mesa. Não há nada melhor. Conseguimos interagir uns com os outros com facilidade porque estão inconscientemente captando sinais sociais e linguagem corporal. Dito isso, o jogo virtual é uma dádiva para grupos como o meu que se espalharam para os cantos mais distantes do país.

4) Material físico ou digital?

R. Físico. Acredito que itens tangíveis e propriedades são artefatos que aumentam o prazer do jogo apenas por possuí-los. Sou um pouco hipócrita, no entanto, porque dependo muito de PDFs para nossos jogos 3d6 DTL; hiperlinks são um presente dos deuses. Mas hoje em dia, eu jogo dados de verdade, não importa o que aconteça. Nunca confie no RNG (NdE. Random Number Generator, ou Gerador de Números Aleatórios) dos roladores de dados digitais! 

5) Uma Classe?

R. Guerreiro. Personagens em jogos OSR são, para mim, meramente veículos para explorar o mundo, então eu gosto de minhas classes bem enxutas em termos de  “habilidade especial”.

6) Teste de atributo?

R. Absolutamente não. Não gosto de depender de pontuações de habilidade, porque isso sempre leva a escolher classes ou habilidades que se alinham melhor com suas pontuações mais altas, o que fica chato. Prefiro que a resolução de tarefas seja divorciada de pontuações de habilidade.

7) Aventura ou Campanha?

R. Meu tipo de jogo favorito é uma campanha que é salpicada com aventuras pontuais, mas relacionadas. Isso cria um bom ritmo ao longo dos anos da campanha. 

8) Aventura Favorita?

R. The Halls of Arden Vul (NdE Richard Barton, Expeditious Retreat Press) conta como uma única aventura? Provavelmente não, mas essa seria minha resposta fácil. Tirando essa obra-prima, eu diria Winter's Daughter, de Gavin Norman (NdE. para Old School Essentials). É um encapsulamento perfeito do que torna D&D divertido. Qualquer um cuja primeira experiência seja essa aventura está fadado a ficar viciado para sempre em RPGs.

9) Sessão Inesquecível?

R. Um arco de duas sessões que concluiu minha passagem por Winter's Daughter (que pode ser assistido em nosso canal). Personagens de primeiro nível tiveram um desejo concedido, e eles decidiram — como um grupo — torná-lo completamente altruísta, investindo completamente no mundo ficcional ao seu redor. Logo depois, em um TPK muito provável, um jogador nobremente sacrificou seu personagem para garantir a fuga dos outros. Ficamos todos pasmos com suas ações. RPG emergente no seu melhor. 

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Traveller (NdE no Brasil pela RPG Planet). Eu tenho e o li, mas ainda não o experimentei completamente. Isso me traz grande vergonha todos os dias, e preciso consertar essa situação.

11) Drizzt Do'Urden ou Arya Stark?

R. Arya Stark. Ambos os personagens têm reputações descomunais na cultura pop, muito distantes de sua intenção original, mas pelo menos Arya tem um apelo genuíno. Drizzt mudou sozinho o arquétipo padrão do ranger para todas as edições de D&D que viriam, e embora tenha sido "legal", vou ficar com o arquétipo original de Aragorn, muito obrigado. 

12) Preparar ou improvisar?

R. Improvise, se possível. Eu gosto de pouca preparação, porque estou ficando velho, e o tempo é precioso.

13) Livro Inspirador?

R. Não é uma surpresa: O Senhor dos Anéis. Assim como aconteceu com milhões de pessoas, meu amor por literatura de fantasia e RPGs vem de LOTR. Li muita fantasia inovadora desde que peguei O Hobbit pela primeira vez, mas ainda não vi nada que chegasse perto de Tolkien. Sempre encontro algo novo para aproveitar toda vez que leio.

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Filmes que fazem minha veia de RPG saltar: Excalibur, Conan, o Bárbaro, Décimo Terceiro Guerreiro. Filme inspirador em geral (e meu favorito de todos os tempos): Lawrence da Arábia.


sexta-feira, 7 de março de 2025

FastPlay com a fera da comunidade OSR BR, Rogério Paiva

 Tive o prazer de trocar uma ideia com o Rogério Paiva, um cara por quem tenho grande admiração pela atenção, acessibilidade e profundidade com que interage nas comunidades de OSR, DCC e Apêndice N, e que inclusive já colaborou com post aqui pro blog que sempre são lembrados pelos leitores. 

Humildemente, o Rogério se apresenta como "servidor público na Universidade Federal de Pernambuco, Mestre de RPG e filósofo palpiteiro de D&D Old School nas horas vagas."

Bora sacar os pontos de vista dessa fera:

1) Primeiro RPG?

R: Lobisomem: o Apocalipse, com 9 anos de idade. Foi doideira. 🐺

2) RPG de Cabeceira?

R: Dragão Neoclássico (Um D&D BX cozinhado com tempero caseiro e acompanhado com um copo de suco). 🐲

3) Presencial ou Virtual?

R: Ambos. Presencial para ver os amigos e virtual para fazer novos amigos. 🤝

4) Material físico ou digital?

R: Físico para colecionar (só alguns), digital para estudar e usar em mesa (todos quanto possível). 📜📱

5) Uma Classe?

R: Pelas Barbas de Durin, Anão, sempre Anão! 🎅

6) Teste de atributo?

R: A raiz de todos os males. 🔥

7) Aventura ou Campanha?

R: Campanha. O mais longa o possível. Mas as aventuras são boas para introduzir novas pessoas ao hobby.  ⚔

8) Aventura Favorita?

R: Marinheiros do Mar Sem Estrelas do DCC.⛵

9) Sessão Inesquecível?

R: Sessão final da campanha de Legião (cenário do Old Dragon rodando no D&D 5e). Luta inesquecível contra o necromante extraplanar. 🐙

10) Não joguei, mas queira experimentar

R: Pendragon 🛡

11) Elric ou Jon Snow?

R: "Arioch! Arioch! Sangue e almas para meu senhor Arioch!" 😈

12) Preparar ou improvisar?

R: Preparar o suficiente para improvisar com tranquilidade. 📚

13) Livro Inspirador?

R: Os contos do Conan, o Bárbaro (todos). 🗡

14) Filme ou Série Inspiradora?

R: A trilogia do Senhor dos Anéis seguida de Game of Thrones. 💍👑


sábado, 8 de fevereiro de 2025

FastPlay com The Maze Controller, da banda de Metal Dungeon Crawl

 E o FastPlay voltou!!!! Dessa vez quem veio falar consco com o The Maze Controller, banda de Thrash Metal Dungeon Crawl com temática RPGística que já lançou os álbuns "Roll for your life" e "Maze Control". Confere aí!

1) Primeiro RPG?

R.   Meu primeiro RPG foi D&D 3.5e. Fui apresentado através da caixa inicial, que minha irmã comprou para mim como presente. Joguei por um tempo, mas não tínhamos ideia do que estávamos fazendo, e não comecei a jogar seriamente até jogar Star Wars Saga Edition com meu irmão e amigos.

2) RPG de Cabeceira?

R. Estou mais familiarizado com o D&D 5ª Edição, mas o Old School Essentials tem despertado muito do meu interesse ultimamente. Eu sinto que tudo, desde o combate até as interações, exploração de masmorras, exploração de hexs, etc, é muito mais simplificado e rápido. Muitas das regras também parecem ter sido deixadas para a interpretação do Mestre, então tomar uma decisão parece mais fácil, e não como se você estivesse folheando intermináveis ​​livros de referência para encontrar a solução. Além de todas essas coisas, o sistema é, em geral, muito mais mortal.

3) Presencial ou Virtual?

R. Definitivamente há algo especial em jogar presencialmente, mas há muito investimento quando se trata de preparação e agendamento. Tenho jogado quase exclusivamente online desde a pandemia, e é muito mais fácil quando se trata de preparar mapas, tokens e agendar um horário para jogar. Mesmo assim acho que algumas das minhas lembranças favoritas de RPG são de quando eu estava jogando pessoalmente, bebendo em uma mesa com amigos.

4) Material físico ou digital?

R. Ter uma cópia física para ler as regras é sempre bom, e acho que seria o que preferiria ter na maioria dos casos. Eu acho que os livros digitais são ótimos para referência de regras em uma mesa usando o celular, desde que o telefone seja usado apenas para esse fim e não como distração de qualquer outra forma. De qualquer forma, caso não consiga baixar uma cópia do livro digital para meu disco rígido, optarei pela cópia física.

5) Uma Classe?

R. Acho que Clérigo é uma das mais flexíveis e possivelmente a minha favorita. Não sou muito minmaxer e quase nunca multiclasse, então prefiro interpretar personagens que são mais orientados para RP e focar nas habilidades. Pelo menos para a 5ª edição, Clérigo cobre todas as bases e pode ser jogado como tanque, dano ou suporte.

6) Teste de atributo?

R. Ter um requisito para ambos as situações é minha preferência. Se um jogador rolar e tiver sucesso no teste, tudo bem, mas ele deve descrever suas ações simultaneamente. Da mesma forma, acho que os jogadores deveriam ser recompensados ​​por terem ideias inteligentes como soluções para problemas e, mesmo que falhem no teste de atributo, deveriam receber algum tipo de benefício por realmente explicarem o que fazem. Obviamente, se rolarem um "1" natural, deverão falhar. Sistemas como o Genesys da Fantasy Flight (originalmente Star Wars RPG) tentam resolver esse tipo de coisa com dados especiais que permitem obter algum tipo de benefício mesmo quando falha em um teste de habilidade.

7) Aventura ou Campanha?

R. Para mim, o cenário ideal é ter múltiplas aventuras desconectadas que possam ser concluídas em 3 a 4 sessões, com alguns personagens/NPCs contínuos e retornos de sessões anteriores. Isto ajuda a alcançar a sensação de um mundo persistente, mas não é vinculativo da mesma forma que uma campanha completa.

8) Aventura Favorita?

R. Até agora, o que mais gostei e que não foi uma campanha ou aventura caseira foi Waterdeep: Dragon Heist (NdE WoTC D&D 5ed) . É curta o suficiente para ser executada em poucas sessões e muito flexível em termos do resultado da história. Eles também oferecem uma sequência de campanha/megadungeon  se você estiver interessado em continuar a história através de livros oficiais!

9) Sessão Inesquecível?

R. Meus primeiros dias como jogador serão sempre os mais memoráveis, jogando com pouco conhecimento e muito entusiasmo com amigos que se interessavam pelo hobby tanto quanto eu. No entanto, recentemente completei uma one-shot com amigos de bandas de Metal que filmamos para uma curta minissérie. Vai se chamar One Shot at Glory, e eu dirigi até Los Angeles (cerca de 6 horas de onde moro) para fazer parte disso. Jogamos e filmamos em uma loja de jogos até as 4 da manhã, e depois voltei para casa durante a noite. Nunca vou esquecer disso, confira!

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Mörk Borg.

11) Sandor "The Hound" Clegane ou Lancelot?

R. Não estou muito familiarizado com Lancelot como personagem, sei que ele foi retratado de muitas maneiras diferentes na literatura, então sinto que não conheço realmente o personagem. Nesse caso, eu teria que votar no The Hound, mas tudo que o conheço é da série de TV Game of Thrones (não li os livros). Ele foi muito legal nisso!

12) Preparar ou improvisar?

R. Ambos. Preparar uma coleção solta de NPJs, interações, eventos e encontros e então improvisar quando seus PJs saírem do roteiro. Acho que preparar demais suas sessões é uma boa maneira de se preparar para a surpresa quando seus jogadores inevitavelmente fazem algo inesperado. Você também não quer atrapalhá-los, preparando-se demais e forçando-os a seguir o que você escreveu.

13) Livro Inspirador?

R. Qualquer coisa de Clark Ashton Smith! Ele é um dos meus autores favoritos e tem muitos contos excelentes de ficção científica e terror. Meu favorito é provavelmente The City of the Singing Flame (NdE 1931).

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. El Corazon del Guerrero é um dos filmes menos conhecidos que me inspirou. É um filme independente espanhol de 2000 sobre um garoto que joga muito Dungeons & Dragons e se desassocia da realidade, acreditando ser seu personagem. É essencialmente a mesma história do filme  de 1982  Mazes and Monsters (NdE no Brasil, Labirintos de Emoções).


terça-feira, 26 de novembro de 2024

FastPlay com Justin Alexander do blog The Alexandrian e autor de "So you want to be a Game Master"

Quem respondeu ao FastPlay desta vez foi o designer Justin Alexander, que além de trabalhar para a Atlas Games, é o responsável pelo blog The Alexandrian (thealexandrian.net) e autor do sucesso "So you want to be a Game Master". 

Acompanha aqui!

1) Primeiro RPG?

R. Meu primeiro RPG foi simplesmente um jogo caseiro do Batman que mestrei para meu irmão. A mecânica era simples: toda vez que Batman, interpretado por meu irmão, tentava fazer alguma coisa, nós dois jogávamos um d6. Se meu irmão rolasse mais alto do que eu, Batman teria sucesso.

É por isso que o jogo terminou quando Batman bateu o Batmóvel enquanto dirigia para Gotham City para responder ao Batsinal. Eu sabia que algo não estava certo.

2) RPG de Cabeceira?

R. Numenera.

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial.

4) Material físico ou digital?

R. Adoro digital para pesquisar e copiar e colar. Mas na mesa o que importa é o livro físico. É bom poder abri-los e até mesmo fazer referência a vários livros simultaneamente, sem precisar trocar abas, janelas ou qualquer outra coisa.

5) Uma Classe?

R. Atualmente jogando como Artífice em uma campanha Grendelroot. Mais recentemente, joguei um Androide em um jogo de Mothership. Ele era divertido.

6) Teste de atributo?

R. A mecânica correta realmente depende do sistema e da situação. Grande fã da “ferramenta certa para o trabalho certo”.

7) Aventura ou Campanha?

R. Sim...

8) Aventura Favorita?

R. Para aventuras publicadas, meu one-shot favorito é Ego Hunter para Eclipse Phase (todos jogam uma cópia variante do mesmo personagem e precisam resolver seu próprio mistério). Para a campanha publicada favorita, direi Mentiras Eternas para Rastro de Cthulhu (Eternal Lies for Trail of Cthulhu).

9) Sessão Inesquecível?

R. Ao longo de vários dias, os PJs sitiaram, abriram caminho e então se aprofundaram em uma cidade anã em ruínas. Nas profundezas, eles descobriram uma força de anões sombrios que estavam lá para vasculhar as pedras forjadas pelos outros anões. Os PJs sofreram um terrível revés e fugiram, buscando abrigo em um pequeno e apertado compartimento secreto que haviam encontrado anteriormente.

Foi uma longa noite, sozinhos no escuro, com medo de que a luz das tochas revelasse sua posição. À distância, eles podiam ouvir grandes explosões e os estrondos do equipamento de escavação dos anões negros.

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Pendragon. Está na minha lista de desejos há anos. 

11) Tywin Lannister or Elrond?

R. Elrond.

12) Preparar ou improvisar?

R. Uma boa preparação fornece as ferramentas para uma ótima improvisação.

13) Livro Inspirador?

R. As antologias Thieves' World editadas por Robert Asprin têm uma influência descomunal em minha visão pessoal de aventuras urbanas de alta fantasia (NdE Concordo 1.000%!) 

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Caçada ao Outubro Vermelho. Mistura perfeita de ação inovadora, desvendando o passado e ricas cenas de RPG.

domingo, 29 de setembro de 2024

FastPlay com a Renata Pontes, a Rê do Flecha Mágica

Dessa vez quem respondeu ao FastPlay foi a Renata Pontes, a Rê, mestra e membro da equipe do canal/comunidade Flecha Mágica e co-autora de sistemas como Dark Evo, Casados & Cansados e Protocolo Soma. Aliás, vários desses sistemas estão disponíveis em www.flechamagica.com.  

Confere o papo:

1) Primeiro RPG? 

R. Mago Ascensão (no Brasil, pela Devir Editora).

2) RPG de Cabeceira? 

R. Maze Rats (Questing Beast Games, Ben Milton).

3) Presencial ou Virtual? 

R. Acho que cada um tem seu sabor, mas virtual faz mais parte da minha vida e agrega quem mora longe 😁

4) Material físico ou digital? 

R. Digital pra ler no dia a dia mas gosto de ter físico também! Sempre que possível. 

5) Uma Classe? 

R. Ranger. 

6) Teste de atributo? 

R. Por um mundo com menos rolagens (zoeira). Se fizer sentido e for necessário, tiver uma dificuldade ou risco acho maneiro.

7) Aventura ou Campanha? 

R. Pra mestrar? Aventuras, one shots, one page dungeon, incursões. Pra jogar jogo os 2! Cada uma em sua proposta. 

8) Aventura Favorita? 

R. +Morra do Bruno Prozaiko (zine antiga)

9) Sessão Inesquecível? 

R. Mestrando: Mork Borg (que sairá no Brasil pela Editora Huginn & Muninn @huginnemuninned) com aventura introdutória, com imagens, playlist e tudo mais e o marido morreu 3 ou 4 vezes. Jogando: toda a campanha de A Forja da Fúria (The Forge of Fury, WotC para D&D 3ed, Richard Baker), jogar Halls of the Blood King (OSE, Diogo Nogueira, que deve sair no Brasil pela LaserHead Press @laserheadpress) também foi muito divertido (o Paçoco tomou veneno achando que ia se curar e morreu, o ladino teve um caso com a fantasma, eu quis levar um piano usando web mas não deu então tirei as teclas de ouro haha).

10) Não joguei, mas queira experimentar 

R. De cenário de campanha HUBRIS do DCCRPG, de sistemas GURPS (curiosidade porque nunca joguei), Castelo Falkenstein, Changeling. 

11) Rhaenyra Targaryen ou Thorin Escudo de Carvalho? 

R. Rapaz, difícil essa. Mas Thorin! 

12) Preparar ou improvisar? 

R. Tabelas e improviso! Gosto de ter o mapa ou imagem pra mim mas curto ver o pessoal mapeando e testando! 

13) Livro Inspirador? 

R. Admirável Mundo Novo, a cura de Schopenhauer. 

14) Filme ou Série Inspiradora? 

R. Série Band of Brothers (já vi 200x).

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

FastPlay com Stefan Pokorny, fundador da Dwarven Forge

 

Quem bateu um papo rápido comigo foi o Stefan Pokorny, um dos fundadores da Dwarven Forge, uma das maiores empresas de produção de cenários para miniaturas de RPG, e também protagonista do documentário "The Dwarvenaut", que acompanha sua participação de convenções nos EUA.


1) Primeiro RPG?

R. AD&D

2) RPG de Cabeceira?

R. AD&D.

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial.

4) Material físico ou digital?

R. Físico.

5) Uma Classe?

R. Guerreiro ou Mago.

6) Teste de atributo? 

R. Não.

7) Aventura ou Campanha?

R. Tanto faz, desde que "homebrew".

8) Aventura Favorita?

R. Prefiro as "homebrew".

9) Sessão Inesquecível?

R. São tantas que fica difícil de lembrar apenas uma.

10) Não joguei, mas queria experimentar.

R. Eu simplesmente gosto de AD&D.

11) Drizzt Do'Urden ou Lancelot?

R. Lancelot.

12) Preparar ou improvisar?

R. Ambos.

13) Livro Inspirador?

R. Conan, o Conquistador

14) Filme ou Série Inspiradora? 

R. Guerra dos Tronos.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

FastPlay com Mestre Carlos Ximu

 E quem apareceu pra rolar os dados foi o multi-sistema, multi-plataforma, multi-tarefa Mestre Carlos Ximu (@carlos_ximu), produtor de conteúdos e mestre profissional, que certamente você já teve a oportunidade de assistir nas mas diversas mesas e mídias do nosso hobby.   

1) Primeiro RPG?

R. D&Dzinho Basic set (caixa vermelha).

2) RPG de Cabeceira?

R. Lobisomem: O Apocalipse.

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial, mas reconheço as facilidades do virtual.

4) Material físico ou digital?

R. Ambos! Se complementam!

5) Uma Classe?

R. Guerreiro.

6) Teste de atributo?

R. Força!

7) Aventura ou Campanha?

R. Campanha. E longa!

8) Aventura Favorita?

R. Publicada? Undermountain (NdE. The Ruins of Undermountain, AD&D 2e, TSR 1991, Ed Greenwood, no Brasil pela Editora Abril).

9) Sessão Inesquecível?

R. Lobisomem mestrado por mim. Final de um capítulo, a matilha invade um covil setita chamado "Montanha da Serpente" (kkk). Foi épico, infelizmente 2 baixas.

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Vaesen (NdE. No Brasil,  pela RetroPunk).

11) Elrond ou Tyrion Lannister?

R. Elrond.

12) Preparar ou improvisar?

R. Preparar.

13) Livro Inspirador?

R. Silmarillion.

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Game of Thrones.



domingo, 4 de agosto de 2024

FastPlay com o grande Gavin Norman, de Old School Essentials e da Necrotic Gnome

Aproveitando a mudança de casa do Old School Essentials no Brasil, que passará a ser lançado pela LaserHead Press, a mente criativa por traz do celebrado sistema e da editora Necrotic Gnome, Gavin Norman, bateu um papo conosco. Confere aí!     

1) Primeiro RPG?

R. Basic D&D (caixa vermelha de Mentzer). 

2) RPG de Cabeceira?

R. É um empate entre B/X D&D e AD&D (1e e 2e). Adoro a maneira como B/X "acerta na mosca" ao apresentar o núcleo do D&D de maneira tão concisa (128 páginas). Também adoro o sabor esotérico do AD&D e a vasta quantidade de conteúdo para ele (feitiços, monstros, etc).

3) Presencial ou Virtual?

R. Gosto de ambos, mas recentemente tenho jogado online com mais frequência. Gosto da simplicidade do jogo online, pois é mais fácil organizar sessões de jogo.

4) Material físico ou digital?

R. Adoro livros físicos para ler e jogar pessoalmente, mas uso principalmente PDFs quando jogo online. É mais fácil ter tudo (jogos + livros) em uma tela.

5) Uma Classe?

R. Amo todo o tipo de magos.  

6) Teste de atributo?

R. Eu sinto que há um momento e um lugar para eles, quando os personagens enfrentam um desafio puramente determinado pela sua força bruta, destreza, seja o que for, em oposição a algo influenciado por sua classe e nível.

7) Aventura ou Campanha?

R. Devido ao tempo limitado recentemente, tenho gostado de realizar algumas aventuras isoladas. Estou ansioso para voltar a dar andamento a uma campanha!

8) Aventura Favorita?

R. Sou um tanto incomum porque não joguei nenhuma das aventuras clássicas de D&D. Sempre fui um "produtor" caseiro, desde criança. Portanto, posso contar nos dedos de uma mão o número de módulos de aventura que mestrei. Eu mestrei Barrowmaze (NdE. OSR Publishing para Labyrinth Lord, por Greg Gillespie, 2014) por um tempo e gostei muito. Também tenho uma queda pelo meu próprio Hole in the Oak (NdE no Brasil, O Buraco no Carvalho pela RPGPlanet Press), que foi uma das primeiras aventuras que escrevi ao retornar aos jogos após um longo hiato.

9) Sessão Inesquecível?

R. Em uma campanha de Dolmenwood (NdE Necrotic Gnome, pelo próprio Norman) que eu estava conduzindo, um dos PJs pegou um talismã assustador e o colocou secretamente, sem que os outros jogadores soubessem. O talismã era mágico e mudou o alinhamento do PJ para Caótico. O jogador interpretou isso de maneira fantástica e, no final da sessão, conseguiu convencer personagens Ordeiros ligados à religião a incendiar uma igreja!

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Não é um sistema, mas eu adoraria jogar ou conduzir uma campanha de megamasmorras à moda antiga, usando alguma edição de D&D.

11) Oberyn "The Viper" Martell ou Legolas?

R. Legolas! Eu realmente gostei da série de TV Game of Thrones, mas prefiro a sensação mais nobre e mítica da Terra Média. 

12) Preparar ou improvisar?

R. Gosto de improvisar, mas tenho tendência a me envolver em preparações pesadas. Daí o cenário da campanha Dolmenwood.

13) Livro Inspirador?

R. Recentemente reli Suldrun's Garden, de Jack Vance, o primeiro livro da trilogia Lyonesse. Adoro a estranheza dessa mistura de conto de fadas, proto-arturiana, picaresca e vanciana.

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Assisti O Sétimo Selo (NdE. 1957) recentemente e fiquei realmente impressionado. Atmosfera estranha fantástica.


sábado, 27 de julho de 2024

FastPlay com Gufgar, do canal Espólios Arcanos

Quem parou pra trocar uma ideia dessa vez foi meu camarada Gufgar, a cara sorridente do canal Espólios Arcanos. 

Confere o papo!


1) Primeiro RPG?

R. Eu costumo falar que “oficialmente” foi o D&D 3.5. Digo isso, porque antes dele eu já jogava um RPG improvisado com dois amigos do colégio. A gente não fazia ideia de onde encontrar os livros, então apenas sentávamos no chão da sala com umas folhas em branco, uns lápis e um d20 que um dos amigos tinha. As folhas eram então preenchidas com uns atributos inventados na hora e o jogo acontecia no completo improviso. Ninguém ali tinha muita noção do que estava fazendo e o nosso sistema caseiro era totalmente desequilibrado, mas sabíamos que aquilo era uma forma de RPG e nos divertíamos muito rs. 

2) RPG de Cabeceira?

R. Dragon Age RPG. A real é que faz muito tempo que eu não jogo, mas foi muito marcante pra mim e eu estou sempre consultando alguma coisinha, sobretudo a lore do cenário que eu gosto demais. 

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial, com toda certeza! Pra mim o virtual nunca vai substituir a galera reunida em volta de uma mesa cheia de coisas e rolando os dados físicos. 

4) Material físico ou digital?

R. Eu gosto muito de livros físicos. Desde criança, antes mesmo de saber ler, eu gostava de livros. Adoro folheá-los materialmente, sentir a sensação tátil do papel e o cheiro das páginas.

5) Uma Classe?

R. Ultimamente eu venho experimentando outras classes e até joguei o Baldur’s Gate III de Feiticeiro, mas a real é que eu adoro o bom e velho Guerreiro. Não tem jeito rs. 

6) Teste de atributo?

R. Sim, acho que tem o seu valor. Eu entendo a ideia de focar na descrição da ação e colocar jogadores/jogadoras em maior evidência do que a ficha de personagem, mas acredito que ainda há espaço para os testes. 

Eu gosto de rolar dados e acho que a galera que joga comigo também. Sem contar que a rolagem muitas vezes traz aquela pessoa mais tímida da mesa para o jogo, sabe? Tive a experiência de apresentar o RPG para muitos amigos/amigas e os testes sempre levavam aqueles que não sabiam muito o que fazer para dentro da cena.

7) Aventura ou Campanha?

R. Eu gosto muito de jogar Campanhas. O desenvolvimento dos protagonistas acontecem ao longo das sessões, e eu não tô falando de níveis e fichas mais fortes, mas sim dos acontecimentos mudando a forma como a turma interpreta os personagens. Curto demais a sensação de que as decisões importam no mundo do jogo e acho muito difícil fazer com que isso aconteça no curto prazo de uma one-shot. 

Dito tudo isso, a grande maioria das Campanhas que eu joguei acabaram terminando antes de um final. Meu Deus, como é difícil manter uma frequência de jogo com um mesmo grupo! No fim, aventuras curtas acabam sendo mais funcionais. Infelizmente.

8) Aventura Favorita?

R. Confesso que não sou um grande narrador de aventuras prontas. Eu tenho várias aqui e até queria rodá-las, mas ainda não fiz. Contudo, uma das poucas aventuras que eu narrei na íntegra foi a The Waking of Willowby Hall, do Ben Milton. Usamos o DCC para jogar ela, funcionou muito bem e todo mundo se divertiu pacas. Além dessa, eu também gosto muito das aventuras do Dragon Age RPG. Adoro como elas trazem escolhas malditas para os PJs fazerem, onde parece não existir um lado bom, sabe? É aquela coisa tensa da Fantasia Sombria, traz uma “dificuldade moral” que eleva o nível de dificuldade da aventura.

9) Sessão Inesquecível?

R. Uma vez eu fiz um dos meus jogadores chorar de emoção com o sacrifício de um NPC. Aconteceu em uma campanha longa e toda a cena foi épica! Com certeza, nunca vou esquecer.

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Nossa, muita coisa! Adoro aprender sistemas novos, mas acho que atualmente tenho muita curiosidade de jogar Lobisomem: O Apocalipse. Joguei uma campanha de V5 no Flecha Mágica narrada pelo Ximu ano passado e foi incrível! Quero mais rs.

11) Geralt de Rivia ou Conan?

R. Fico com o Geralt. O Conan é muito legal também, mas toda a mitologia dos Bruxos de The Witcher é massa demais pra mim. Espada de aço e espada de prata, sentidos de bruxo (e outras mutações), sinais para a realização de magias simples, caçar monstros em um mundo com pessoas ainda piores… enfim, é tudo muito fod@!

12) Preparar ou improvisar?

R. Por muito tempo eu fui o estilo de mestre que preparava demais e gastava horas com isso. Hoje em dia eu vejo que uma sessão preparada não é garantia de uma boa sessão e que o improviso vale muito a pena. 

13) Livro Inspirador?

R. As Crônicas de Arthur do Bernard Cornwell e Os Pilares da Terra do Ken Follet. Para mim, se o assunto é medieval, nada pode ser mais inspirador que isso.  

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Fugindo um pouco da temática de fantasia medieval, acho que a série True Detective (sobretudo a primeira temporada) é incrível e uma ótima fonte de inspiração para quem quer narrar um Cthulhu ou qualquer coisa nessa pegada. 

segunda-feira, 15 de julho de 2024

FastPlay com Richard Barton , da MEGA MEGA MEGAdungeon The Halls of Arden Vul

Ótimo papo com o simpaticíssimo Richard Barton, o autor da imensa medadungeon The Halls of Arden Vul. Confere a conversa!  

1) Primeiro RPG?

R. A versão do livro azul de Holmes de D&D, em 1978. Eu jogava wargames da Avalon Hill há alguns anos, e a loja de jogos recebeu um novo produto com uma cara legal que pensei ser um wargame. Como fiquei feliz por descobrir que estava enganado!


2) RPG de Cabeceira?

R. AD&D (1e) é a resposta óbvia, porque combina minha linguagem preferida (fantasia, seja corajoso ou épico) e porque é o jogo que joguei nos meus anos de formação. Mas também sou um grande fã de Ars Mágica, 3e.

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencialmente, por favor! Eu olho com admiração aqueles DMs e jogadores que conseguem navegar em ambientes no mundo virtual tão perfeitamente (vivas para o Jon Britton e 3d6 Down the Line!), tendo em mente que eu demoraria muito para imaginar aquilo tudo. Meu jogo é presencial há 14 anos…

4) Material físico ou digital?

R. Prefiro livros físicos à mesa, mas uso livros digitais quando estou escrevendo aventuras e fazendo trabalho de preparação.

5) Uma Classe?

R. Hmmm…. Já faz um tempo que não sou jogador (mais recentemente fui um ladino em um jogo de D&D 5e), mas se estamos falando de AD&D, acho que prefiro guerreiro ou ladrão.

6) Teste de atributo?

R. Com certeza!

7) Aventura ou Campanha?

R. Campanha, com certeza. A campanha que produziu Arden Vul durou uma década até que alguns jogadas azaradas mataram alguns PJs importantes no Templo de Set. Meus amigos reiniciaram-na e estamos há dois anos em uma nova campanha… embora ainda não tenham se aventurado em Arden Vul!

8) Aventura Favorita?

R. Quando eu era adolescente, era Tomb of Horror da TSR (NdE. D&D Gary Gygax, 1975). Como adulto, posso nomear Expedition to the Barrier Peaks (NdE. TSR, AD&D Gary Gygax, 1980) entre os módulos clássicos, e Pod Caverns of the Sinister Shroom de Matt Finch (NdE. Expeditious Retreat Press, AD&D e OSRIC,  2006) das entradas mais recentes. Claro, Rappan Athuk (NdE. Frog God Games, Sword & Wizardry, 2012) foi o que me fez querer produzir uma megadungeon.

9) Sessão Inesquecível?

R. Uau! Difícil de dizer. Houveram tantas. Algumas que ficaram na minha mente incluem a vez em que como um esqueleto gigante de Rudishva empalou um dos PJs na parede de um duto de ventilação... com seu fêmur (eu na verdade, escrevi isso na versão final de Arden Vul, então é literalmente imortalizado no papel); ou a vez em que outro PJ fez um uso inteligente de uma pele de urso polar em um confronto com kobolds; ou a vez que Wicktrimmer usou um anel de respiração subaquática para afogar um inimigo de longa data; ou o triste dia em que Balthazar, o Azul, foi incinerado pelo ataque de chamas da Sacerdotisa Stephania; ou o dia em que Grimley foi sugado por um portal para a Cidade de Bronze e os outros PJs encolheram os ombros e disseram ‘Oh, bem!’, e o seguiram; ou a eliminação inteligente dos halflings de Plumthorn pelos PJs usando uma tábua de madeira… e a lista continua e continua!

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Paranoia. Também Traveller (NdE no Brasil pela RPG Planet) – criei muitos personagens para Traveller ao longo dos anos, mas nunca joguei.

11) Thorin Escudo de Carvalho ou Jon Snow?

R. Meu instinto é ir com Thorin, já que ele é um senhor anão durão, motivado e ambicioso. Mas se eu estivesse organizando um grupo de aventuras? Não sei… Thorin pode ser um pouco egocêntrico demais. Jon Snow geralmente tenta fazer a coisa certa para o bem comum, então talvez eu o aceitasse.

12) Preparar ou improvisar?

R. Eu preparo. Na verdade, provavelmente estou me preparando demais. Mesmo assim, meus jogadores muitas vezes me forçam a improvisar. 

13) Livro Inspirador?

R. Eu peguei a doença do RPG de fantasia de Tolkien, primeiro do Senhor dos Anéis, e depois do Silmarillion. Por um tempo, quando era adolescente, batizei todos os meus PCs com nomes de vários Noldorin. Mas hoje em dia eu provavelmente cite as séries Fafhrd e Gray Mouser de Leiber (que eu só descobri lá pelo final de meus 20 anos). Também foram profundamente importantes para mim na construção do mundo as séries Elric de Moorcock e o mundo de Tekumel de M.A.R. Barker . Às vezes adapto esquemas básicos de enredos de épicos e romances medievais (por exemplo, Raul de Cambrai, Guilherme de Orange, Yvain, etc.). Embora possa parecer um lugar comum em 2024, continuo inspirado pela visão de Herbert de um universo feudal em Duna; se eu alguma vez mestrasse um jogo espacial, teria as conotações de Duna.

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Embora novamente possa parecer uma escolha “segura”, adorei a sequência de Moria em A Sociedade do Anel (2001); esses visuais foram uma grande inspiração para mim no design de jogos. Admiro filmes que podem construir suspense lenta mas seguramente (que às vezes tento imitar nos jogos): dois entre muitos exemplos seriam Aliens (1986) e Outland (1981). Embora isso realmente não afete diretamente meu jogo, vou dar créditos para um filme de vampiros pouco citado, Near Dark (NdE. Quando Chega a Escuridão, 1987). Huh! A maioria das minhas escolhas são dos anos 80. Acho que sou um verdadeiro Gen-Xer.

domingo, 30 de junho de 2024

FastPlay com Bernardo Lima , de South Borg e do blog Teratológica

Dessa vez o papo foi com o Bernardo Lima, o mestre e criador da mesa aberta do mundo South Borg, baseado no aclamado Mörk Borg, e também editor do blog Teratológica (teratologica.blogspot.com).

Confere o papo com essa fera.


1) Primeiro RPG?

R. O primeiro RPG que joguei foi na casa de uma tia com um rapaz do qual não me lembro o nome e possuía uma caixa das antigas (não sei se era o Basic ou já era Ad&d 1e). Fiquei fascinado desde então. Devorei Dungeoneer, Tagmar, Gurps e Ad&d 2e nos anos seguintes e me tornei o Mestre da galera.

2) RPG de Cabeceira?

R. Atualmente é Mörk Borg e os variados retroclones do BX e OD&D. 

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial é muito melhor. Mas o virtual me permite mestrar mesas abertas e jogar com uma regularidade que seria impossível de outra forma.

4) Material físico ou digital?

R. Material físico sem dúvida nenhuma. Não há nada como o cheiro do livro novo...

5) Uma Classe?

R. Sou eclético. Mas gosto do bom e velho guerreiro.

6) Teste de atributo?

R. De preferência não. Acho que todo Mestre deveria se desafiar em mestrar um tempo sem usar testes de atributo para entender a fundo as propostas mais diegéticas de resolução dos desafios, como proposto no melhor da OSR e no Oil Fantasy. Uma vez que entendeu que é dispensável, pode até voltar a usar com parcimônia.

7) Aventura ou Campanha?

R. Cada um tem seu sabor. Mas a minha paixão atual são as campanhas abertas, como eu faço com South Borg.

8) Aventura Favorita?

R. Nunca fui muito de jogar aventuras prontas. Recentemente que comecei a jogar os módulos. Atualmente estou mestrando Death, Frost, Doom (NdE para Lamentations of the Flame Princess, 2009).

9) Sessão Inesquecível?

R. Foi ainda na época do 3.5. Eu mestrava uma campanha e o paladino do grupo fez uma baita atrocidade por causa de uma magia de ilusão de um vilão. 

10) Não joguei, mas queria experimentar.

R. Não tenho nenhuma experiência com jogos profundamente narrativistas como Dungeon World, Baldes in the Dark e 2d6 World... Gostaria de experimentar.

11) Sauron ou Cthulhu?

R. Cthuhu. Horror cósmico é bom demais.

12) Preparar ou improvisar?

R. Eu me considero um bom mestre improvisador. Mas sempre é necessária uma prep bem feita, com boas tabelas e que mantenha a consistência do jogo.

13) Livro Inspirador?

R. A Trilogia de Arthur, de Bernard Cornwell. Para inspirar combates sujos, desleais e sangrentos. rs

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. São muitos. Mas vou citar dois bem diferentes que me inspiraram recentemente: The Northman e Dungeon Meshi.


sexta-feira, 7 de junho de 2024

FastPlay com Kelsey Dionne, de Shadowdark RPG

Quem separou um tempinho pra bater um papo conosco foi a designer Kelsey Dionne, que após desenvolver várias aventuras de sucesso para D&D, investiu em seu sistema próprio, Shadowdark RPG (www.thearcanelibrary.com/pages/shadowdark), que no projeto de financiamento arrecadou mais de US$ 1.3 milhões!!!! Confere o papo com a talentosa desenvolvedora.    


1) Primeiro RPG?

R. O primeiro RPG que joguei foi AD&D 2a Edição.

2) RPG de Cabeceira?

R. Sou tendenciosa, mas meu RPG favorito é Shadowdark, já que o escrevi para ser minha versão ideal do meu RPG favorito (D&D).

3) Presencial ou Virtual?

R. Prefiro jogar presencialmente, mas joguei muito virtualmente nos últimos anos e ainda é muito divertido!

4) Material físico ou digital?

R. Eu costumava a gostar mais de livros digitais, mas nos últimos anos descobri que os livros físicos são mais fáceis de usar.

5) Uma Classe?

R. Sempre acabo interpretando um estilo de ladrão ou um mago.

6) Teste de atributo?

R. Acho que os testes de atributos podem servir a um propósito se houver um grande risco de falha e pressão de tempo (como tentar abrir uma fechadura enquanto são atacados), mas normalmente eu apenas permito que os personagens tenham sucesso em suas áreas de especialização.

7) Aventura ou Campanha?

R. Prefiro aventuras episódicas que eventualmente se transformam em uma campanha por conta própria!

8) Aventura Favorita?

R. Minha aventura favorita é Caverns of Thracia (NdE Judge's Guild, D&D por Jennel Jaquays, 1979)  uma joia dos primeiros dias!

9) Sessão Inesquecível?

R. Recentemente, participei de uma sessão em que uma jogadora surpreendeu um minotauro super resistente (o monstro mais forte da masmorra) e deu um crítico em seu ataque de facada pelas costas. Ela acabou matando-o com um golpe! Foi hilário e épico. 

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Eu adoraria experimentar o Mausritter (NdE Losing Games, mausritter.com, e agora no Brasil pela Caramelo Jogos @caramelojogos). Parece muito divertido!

11) Lancelot ou Brienne of Tarth? 

R. Brienne! Ela é tão nobre!

12) Preparar ou improvisar?

R. Eu adoro improvisação. A preparação parece atrapalhar.

13) Livro Inspirador?

R. Atualmente estou relendo a trilogia original O Feiticeiro de Terramar, de Ursula K. Le Guin (NdE no Brasil pela Editora Morro Branco). Amo!

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Meu filme favorito é O Tigre e o Dragão (NdE 2000). A música, a ação, a pungência da história!

quinta-feira, 30 de maio de 2024

FastPlay com Jonas Picholaro, da Nozes Game Studio e autor de Into the Madness, By the Sword, As 7 Baladas do Oeste e o Cartapácio de Monstros

Quem separou um tempinho e rolou dados desta vez foi o batalhador Jonas Picholaro, editor do Nozes Game Studio e autor de sistemas como Into the Madness e As 7 Baladas do Oeste, inúmeras aventuras e cenários como Porto Astéria e Crônicas de Gostling, além do aguardado Cartapácio de Monstros. Bora aproveitar a oportunidade!   


1) Primeiro RPG?

R. D&D da Grow, por 15 minutos, mas eu nem sabia o que eu tava jogando. O primeiro que joguei já sabendo do que se tratava foi Star Wars da WEG.

2) RPG de Cabeceira?

R. Ad&d.

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial sempre que possível. Virtual quando quero jogar com gente que mora longe!


4) Material físico ou digital?

R. Físico, com toda certeza!

5) Uma Classe?

R. Mago.

6) Teste de atributo?

R. Sim, mas não pra tudo e a todo momento, somente quando muito necessário para algum "buraco" de regra.

7) Aventura ou Campanha?

R. Campanha. Gosto de aventuras de uma vida! 

8) Aventura Favorita?

R. Nenhuma em especial, nunca gostei muito de aventuras prontas, sempre fui de criar em cima de algo sandbox, mas tenho um carinho muito grande pela Keep on Borderlands.

9) Sessão Inesquecível?

R. Construí o melhor arqueiro do mundo em Birthright, atirava de forma lendária, até 5 flechas em um turno usando uma manobra élfica (claro com redutores cumulativos que chegavam a -16), destreza 20 pois usávamos regras do Players Options para reduzir algum atributo e aumentar outro. Tava perfeito, até o primeiro disparo ocorrer uma falha crítica e quebrar a corda do arco nos ermos... não tinha habilidade de ranger para contruir outra corda nos ermos, eu era fighter... ou seja, passei semanas lutando de faca igual um trombadinha até chegar numa cidade e arrumar o arco!

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Spelljammer.

11) Boromir ou Jaime Lannister?

R. Boromir, pois aguenta mais porrada, Jaime é bom, mas perdeu a mão de bobeira!

12) Preparar ou improvisar?

R. Improvisar, sempre.

13) Livro Inspirador?

R. Crônicas de Dragonlance, são meus favoritos!

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Algo mais atual, gosto do Filme "Em Nome do Rei" que em tese continua a história de Coração Valente. É sujo, brutal, mais realista!

sábado, 11 de maio de 2024

FastPlay com Chris McDowall, de Into the Odd, Eletric Bastionland, Mythic Bastionland e Bastionland Press

Quem parou um pouco pra conversar com a gente foi o Chris McDowall, designer britânico criador de Into the Odd, Eletric Bastionland e que está lançando o novo Mythic Bastionland, através de sua editora Bastionland Press (@bastionland e www.bastionland.com).

Confere o papo.  

1) Primeiro RPG?

R. Warhammer Fantasy Roleplay, embora eu definitivamente não o entendesse naquela época!

2) RPG de Cabeceira?

R. No momento estou mergulhado no Traveller (NdE a RPGPlanet está trazendo o sistema para o Brasil) .

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial.

4) Material físico ou digital?

R. Físico, embora minha estante sobrecarregada preferisse que eu comprasse mais PDFs.

5) Uma Classe?

R. Deixe os dados decidirem.

6) Teste de atributo?

R. Role abaixo.

7) Aventura ou Campanha?

R. Minha missão este ano é realizar algumas campanhas mais longas.

8) Aventura Favorita?

R. Adoro Tomb of the Serpent Kings com novos jogadores (NdE A Tumba dos Reis Serpentes, que fizemos uma tradução autorizada pelo Skerples, que você pode baixar aqui dadosecanecas.blogspot.com/2022/09/tumba-dos-reis-serpente-download-da.html).

9) Sessão Inesquecível?

R. Correndo por uma masmorra cheia de armadilhas mortais com um grupo de... acho que uns 15 jogadores. Um verdadeiro moedor de carne que às vezes parecia mais um jogo de festa do que um RPG.

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Ryuutama está no topo da minha lista agora (NdE Kotodama Heavy Industries, no Brasil pela Huginn & Muninn, www.huginnemuninn.com.br).

11) Sandor "The Hound" Clegane  or Boromir?

R. Ninguém leva uma flechada como Boromir.

12) Preparar ou improvisar?

R. No momento estou gostando de uma preparação mais pesada, mas a improvisação é sempre necessária.

13) Livro Inspirador?

R. Estou me aprofundando na arte de ficção científica antiga agora, então estou curtindo Worlds Beyond Time: Sci-Fi Art of the 1970s.

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Big Trouble in Little China (NdE Os Aventureiros do Bairro Proibido, 1986)  sempre me vem à mente como o filme que mais me parece uma sessão de RPG.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

FastPlay com a máquina Diogo Nogueira, de Primal Quest, Fire & Fangs, Os Mortos Estão Chegando... e muitos outros!

Extremamente feliz por ter rolado uns dados com o celebrado Diogo Nogueira (@diogo_oldskull), uma das mais importantes figuras na cena RPG brasileira, designer de jogos e aventuras como Primal Quest, Fire & Fangs, Solar Blades & Cosmic Spells e The Halls of the Blood King,  reconhecidos não só aqui mas também pela comunidade estrangeira, e que recentemente teve o seu  Os Mortos Estão Chegando financiado com sucesso e editado pela Caramelo Jogos (caramelojogos.com.br).

Além de designer o Diogo mantém o seu selo próprio Old Skull Publishing (oldskull-publishing.com) e também o podcast Weird Games & Weirder People.

Bom, deixa eu parar de falar e vamos ouvir o cara!


1) Primeiro RPG?

R. Tagmar, o primeiro RPG do Brasil também foi o meu primeiro RPG. Conheci com uns amigos novos, crianças mais velhas, de um prédio que acabara de me mudar. Elas me viram jogando um livro-jogo de Aventuras Fantásticas e, sabiamente, tiveram a ideia de me chamar pra jogar RPG. Primeira sessão inesquecível. Fiz um guerreirão de montante morri com um crítico que arrancou minha perna e depois a gente foi enterrar minha ficha no quintal do prédio! Não tinha como eu não ficar vidrado nesse jogo!

2) RPG de Cabeceira?

R. Isso muda com o tempo, não? Ou não. Acho que vou dizer o Dungeon Crawl Classics RPG de novo. Talvez ele não mais represente exatamente o jogo e o sistema que eu prefira jogar atualmente, mas o espírito do jogo que ele transmite, a comunidade que ele cultivou, e o quanto eu aprendi com ele, o DCC RPG vai ser meu RPG de cabeceira por um bom tempo.

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial sem sombra de dúvida. Eu até tento jogar online, mas eu tenho dificuldade de me concentrar mexendo em um dispositivo ligado a uma rede especializada em nos distrair. Tenho tentado melhorar, mas no presencial é outra coisa. Olho no olho. A gente ri junto, divide um lanche, tem uma humanidade que, no mundo cada vez mais isolado no qual a gente vive, eu sinto bastante falta.

4) Material físico ou digital?

R. Físico. Especialmente hoje em dia em que vejo RPGs como brinquedos/ferramentas que você usa durante o jogo. O manuseio do livro físico ainda é mais ágil que o digital, e o tato e a experiência sensorial de cada livro diferente, papel, passar pela paginas e ilustrações quando você folheia o livro tem outra experiência. Digital é bem útil, mas é um quebra galho. E já trabalho olhando pra tela, vemos filmes, séries, procuro oportunidades pra não olhar para telas sempre que posso.

5) Uma Classe?

R. Dungeon Master? Sou aquele eterno DM. Mas quando jogo gosto de Ladrão, ou Guerreiro ou algo assim. Bem inspirado por Fafhrd e Grey Mouser, meus ideais do aventureiro de RPG de fantasia.

6) Teste de atributo?

R. Confesso que não sou muito ligado nessa polêmica que rola por aqui não. Teste de atributo? Depende do jogo. Depende da experiência de jogo que você e seu grupo querem ter, e eu topo ambos dependendo disso tudo que eu falei. Mas supondo que estamos falando de um jogo clássico OSR de fantasia, minha abordagem é o meio termo. Qualquer extremismo é danoso. É do meu entender que é do interesse do jogador evitar um Teste de Atributo. Ele vai buscar condições ficcionais no jogo, seja items, posição tática, ou descrição precisa de uma ação para não restar dúvidas de que seu personagem conseguiu fazer o que queria. Se há uma chave escondida dentro do travesseiro e o jogador descreve que ele vai abrir o travesseiro para ver se tem algo dentro, eu não vou pedir um Teste de Atributo. Mas se ele só fala que vai procurar tu pede um teste. Escalar uma arvore só para olhar o caminho a frente em um dia ensolarado e calmo não requer teste. Mas em uma noite de lua nova, com 2d6 wargs te perseguindo, chovendo forte, você fala que quer subir uma árvore pra tentar despistar os wargs? Vou pedir um teste, tem muitas variantes que podem botar em risco o sucesso da ação, muita imprevisibilidade e a falha tem consequências bem significativas. Agora se o jogador passou uma parte da sessão preparando cuidadosamente um caminho e armadilha para seguir quando os wargs fossem atrás dele, até com uma escada que ele recolhe, eu não pediria. Deu pra entender? Não acho razoável falar que sempre pede ou nunca pede. É uma ferramenta. Use quando apropriado.

7) Aventura ou Campanha?

R. Os dois. Aventuras que possam ser "experienciadas" individualmente, mas que ao longo do tempo possam formar uma narrativa por meio dos personagens, locais, facções, e sociedades afetadas no mundo.

8) Aventura Favorita?

R. Eu poderia dizer The Isle of Dread (NdE TSR, D&D por David "Zeb" Cook e Tom Moldvay, 1981), um grande clássico de aventuras old-school, sandbox, hexcrawl, bem sword and sorcery. Mas vou de uma mais recente, pro Best Left Buried (NdE Soulmuppet Publishing), chamada Beneath the Missing Sea (NdE por S. Sleney, Z. Cox e B. Brown). Um grande cenário sandbox / aventura em um mundo de fantasia sombria em que um Grande Mar desaparece da noite pro dia e uma doença terrível começa a afetar a população. Tem muita oportunidade de RP, de solução de problemas, elementos de horror, dungeon crawl, rituais arcanos, Deuses Esquecidos. MUITO BOM!

9) Sessão Inesquecível?

R. Sem contar a primeira em que eu morri com o personagem cortado ao meio e a gente foi enterrar a ficha no quintal? Deixa eu ver. Na Gen Con de 2023 eu joguei uma mesa extra com o Joey Royale no comando só com amigos e galera do RPG e foi incrível. Jogamos Ninja City pra DCC RPG e foi um dos momentos mais legais de todas as convenções que eu já fui!

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Pendragon (NdE Originalmente publicada pela Chaosium Inc. em 1985) . Falam tão bem do jogo. Eu tenho que um dia tentar pegar ele direito pra jogar com alguém!

11) Morgana Le Fay ou Galadriel?

R. Morgana Le Fay. Gosto mais de sombras que de luz eu acho. 

12) Preparar ou improvisar?

R. Preparar para improvisar. Preparar algumas anotações, e ter ferramentas para poder improvisar com fluidez e criatividade.

13) Livro Inspirador?

R. Já vi que meu amigo Pedro Borges falou o meu clássico “Roube como um Artista”, então vou falar um outro que estou lendo ainda e acabei de indicar pra ele também. Rules of Play (NdE Katie Salen e Eric Zimmerman), ou Regras do Jogo aqui. Um livrão sobre Game Design que aborda o Design de Jogos por óticas bem interessante passando pelas regras do jogo, a experiência de jogar o jogo, e a cultura ao redor e dentro dele. É sensacional. Para quem acha essa teorias de jogos que ouvimos muito nas discussões de RPG por aí um pouco tendenciosas (e são mesmo), esse livro traz muitas visões e abordagens com Game Design que dão uma refrescada nas ideias.

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Putz, são tantas. Quase todos os meus jogos tem alguma ligação com conteúdo de cultura pop como séries, filmes, quadrinhos.

Mas vou pegar uma razoavelmente recente pra indicar. Chama-se Severance, ou Ruptura (NdE Apple TV), uma série de ficção-científica, drama/comédia que faz uma analise do mundo atual do trabalho de maneira muito criativa, envolvente, assustadora e cativante. Vale a pena ver e criar um jogo em cima!


terça-feira, 9 de abril de 2024

FastPlay com Kent David Kelly, autor das séries Hawk & Moor e Castle Oldskull

Quem rolou os dados dessa vez foi o autor Kent David Kelly. Conheci o trabalho de Kent através da excelente série Hawk & Moor, um completo trabalho de pesquisa que mergulha na história da gênese e desenvolvimento do Dungeons & Dragons. Posteriormente fui apresentado ao seu trabalho como designer, através de suas aventuras para OSE, seus livros de suporte Castle Oldskull e mais recentemente seu recém lançado sistema Oldskull Swords & Sorcery. Confere a fera aí! 


1) Primeiro RPG?

R. Meu primeiro RPG foi Dungeons & Dragons, o Basic do Holmes. Um amigo da escola me apresentou-o e jogamos um pouco na aula com as bênçãos do professor.

2) RPG de Cabeceira?  

R. Meu RPG favorito, dependendo do dia, é Dungeons & Dragons, MechWarrior, Autoduel ou Call of Cthulhu.

3) Presencial ou Virtual?

R. Pessoalmente sempre que possível. Caso contrário, estar sozinho ou a história estimulam um ao outro. 

4) Material físico ou digital?

R. Ambos. Prefiro livros físicos, mas uso livros digitais devido a buscas e pesquisas rápidas por palavras-chave. 

5) Uma Classe?

R. Minha classe favorita é Plague Doctor, uma que criei. Senão, Mago.

6) Teste de atributo?

R. Eu uso testes de atributo o tempo todo, mas ofereço bônus quando as pessoas me dizem de forma criativa o que estão tentando. 

7) Aventura ou Campanha?

R. Faço aventuras para novos grupos ou campanhas para jogadores antigos. 

8) Aventura Favorita?

R. Minha aventura favorita é a campanha GDQ1-7 Queen of the Spiders de Gygax (NdE TSR, AD&D 1986). Eu também tenho minha própria campanha World of Oldskull. 

9) Sessão Inesquecível?

R. A melhor sessão foi a primeira com meu filho, ele rolou dois vintes seguidos e matou uma aranha gigante, e depois morreu. O grupo estabeleceu como objetivo fazê-lo ressuscitar dos mortos e todos eles se tornaram caçadores de aranhas, duas jogadas de dados criaram um tema completo de irmandade de aventuras.

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Gamma World.

11) Frodo ou Grey Mouser?

R. Frodo pelo crescimento do personagem, Gray Mouser pela ação e estilo.

12) Preparar ou improvisar?

R. Sempre prepare apenas dois terços do caminho. A habilidade do Mestre vem através da improvisação e o estímulo da mente. 

13) Livro Inspirador?

R. Meu romance favorito é Duna (NdE Dune, Frank Herbert 1965). Meu primeiro livro favorito foi Onde Moram os Monstros (NdE Where the Wild Things Are, Maurice Sendak 1963). Meu livro favorito de todos os tempos é o Codex Seraphnianus (NdE Luigi Serafini 1981).

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Eu amo Caça-fantasmas, Senhor dos Anéis, Star Wars, e A Torre Negra.

Sempre imagine coisas novas. Sempre projete e jogue. Sempre inspire outras pessoas e incorpore as ideias dos mais jovens em seus trabalhos para permanecer criativo para sempre.


sexta-feira, 1 de março de 2024

FastPlay com Monte Cook, da Monte Cook Games

Tremenda honra em poder jogar uns dados com o lendário Monte Cook, hoje a frente de Monte Cook Games e suas publicações Numenéra, Cypher System e The Strange, Invisible Sun. Mas o Monte Cook tem uma longa estrada como design de jogos, tendo participado no clássico Rolemaster da ICE, escrito para a linha Planescape da TSR e coproduzido o D&D 3a edição para a WotC.    


1) Primeiro RPG?

R. D&D Original 

2) RPG de Cabeceira?

R. Invisible Sun (NdE Monte Cook Games)

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial (apesar de jogar os dois)

4) Material físico ou digital?

R. Digital para a preparação, mas físico na mesa


5) Uma Classe?

R. Mago ou algo de gênero (dependendo do sistema).

6) Teste de atributo?

R. Depende do jogo, eu suponho, mas sim, de forma geral.

7) Aventura ou Campanha?

R. Campanha.

8) Aventura Favorita?

R. Vault of the Drow de Gary Gygax (NdE TSR, AD&D 1978).

9) Sessão Inesquecível?

R. Os PJs em um jogo de fantasia tinham um artefato muito limitado que lhes permitia voltar no tempo. Eles já haviam usado isso para voltar e mudar algo que haviam feito (ao mesmo tempo em que se certificavam de que seus eus passados ​​não estavam cientes deles), mas ao retornar ao seu presente normal, descobriram que haviam tornado as coisas ainda piores, então eles tiveram que voltar e impedir-se de impedi-los, mantendo ao mesmo tempo ambos os conjuntos de eus passados ​​desconhecendo sua presença. 

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Shadowdark RPG.

11) Gandalf ou Marlin?

R. Gandalf

12) Preparar ou improvisar?

R. De preferência uma mistura dos dois, mas se tiver que escolher, adoro improvisar.

13) Livro Inspirador?

R. Hyperion (NdE Dan Simmons, 1989) e The Fall of Hyperion (NdE Dan Simmons, 1990).

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. Inception