terça-feira, 1 de agosto de 2023

FastPlay com Alex Damasceno, autor de Beyond the Borderlands e As Ruínas dos Arcontes

Quem veio rolar uns dados desta vez foi o Alex Damasceno (@gnarledmonster), autor e artista das pérolas Beyond the Borderlands e o recém financiado As Ruínas dos Arcontes. Confere o que disse essa fera!

1) Primeiro RPG?

R. O primeirão mesmo foi um sistema caseiro de um amigo que só usava um D6. Não tinha nome eu acho, e se era inspirado em outro sistema ele nunca me disse. Porém o primeiro sistema publicado que eu joguei foi o RPGQuest da Daemon Editora.

2) RPG de Cabeceira?

R. OD&D editado pelo Greyharp. Nunca joguei com as regras 100% do jeito que é escrito mas tô sempre usando ele como referência e inspiração.

3) Presencial ou Virtual?

R. Presencial mil vezes, mas é tão difícil hoje em dia que acabo me rendendo ao virtual de vez em quando.

4) Material físico ou digital?

R. Físico! Digital só se for um livro muito grande e difícil de procurar as coisas.

5) Uma Classe?

R. Só uma? Vou ter que ir de mago então, gosto de jogar como um ladrão que usa feitiços esporadicamente ou artefatos mágicos.

6) Teste de atributo?

R. Só quando todo o resto der errado.

7) Aventura ou Campanha?

R. Acho difícil me manter investido numa campanha que dure muitas sessões, então aventuras acabam sendo uma escolha mais segura.

8) Aventura Favorita?

R. Se puder escolher uma minha é as Ruínas dos Arcontes. Sem querer fazer jabá mas já fazendo, eu escrevi esse microcenário do exato jeitinho que eu gostaria de jogar, então não é a toa que eu goste tanto dele.

Se não puder vou de Winter's Daughter do Necrotic Gnome, nunca vi uma aventura tão redondinha e bem escrita quanto essa até hoje. Estou ficando DOIDO esperando pelo livro completo do Dolmenwood.

9) Sessão Inesquecível?

R. As sessões que eu jogava no sistema-sem-nome com os meus amigos de infância. O nosso estilo de jogo era muito criativo e espontâneo, embora rudimentar. Tento recriar aquela experiência até hoje nos meus jogos.

10) Não joguei, mas queira experimentar

R. Imprimi o Mörk Börg Bare Bones Edition (jnohr.itch.io/mrk-borg-free) dia desses e estou namorando a possibilidade de jogá-lo com uma galera presencialmente. Até redesenhei o mapa das terras moribundas! (Tá de graça no meu itch pra quem quiser: gnarledmonster.itch.io/the-dying-lands).

11) Legolas ou Lancelot?

R. Vou ter que ir de Legolas porque infelizmente não conheço nada sobre o Lancelot.

12) Preparar ou improvisar?

R. Preparar. Uma sessão 100% de improviso me deixa sem chão, a menos que esteja jogando com mestragem compartilhada e todos os jogadores me ajudem a ir criando as situações.

13) Livro Inspirador?

R. Conan do Robert E. Howard. Quando termino um conto dele sempre fico com vontade de escrever uma aventura ou microcenário inspirado no texto, inclusive já fiz uma aventura no Xuthal do Crepúsculo, "The Slumbering city".

14) Filme ou Série Inspiradora?

R. O Senhor dos Anéis foi quem me botou nas tetas do RPG então não poderia ser outro, mas confesso que a minha visão sobre o gênero da fantasia tá mais pro lado de Game of Thrones.

O espaço é seu:

Pra saber mais sobre o meu trabalho é só me procurar no twitter ou no instagram por @gnarledmonster.


sexta-feira, 28 de julho de 2023

IRONSWORN - Aplicação de Mecânicas Básicas na Sessão 4

Por Thiago Elendil (@bs.rpg)

www.ironswornrpg.com/ 

Ironsworn parte 4


Tahir entra sem problemas na vila de Campo das Madeiras, mas Virdana precisa se esgueirar à noite, já que os elfos são uma visão muito rara nessa região e as pessoas têm medo do que desconhecem. 

A mística recebe a dupla, embora ela não fale muito, parece perceber que é chegada a hora de encarar os problemas que causou. Seu nome é Melia (O nome, personalidade e motivação são gerados na hora com um oráculo do próprio livro), ela conta que de fato realizou o ritual, não diz qual era o seu objetivo, mas conta que tentou fazê-lo mesmo com um ingrediente faltando e isso causou um problema não previsto. Ela acredita que se esse ingrediente, uma tal de pedra do eco, pode ser usado para reverter o ritual. Sua ideia é transferir o espírito da raposa do obelisco para a pedra e depois destruí-la, libertando assim o espírito. Embora não confiem totalmente em Melia, Tahir e Virdana não têm outra opção e partem para o local indicado pela mística, um pântano próximo conhecido com Pântano Baixo (este foi um resultado do movimento “coletar informações”, com um acerto fraco nós conseguimos as informações, mas elas colocam novos desafios na jornada).

No caminho os dois escutam gritos e rosnados, ao se aproximar veem uma alcateia de lobos ensandecidos atacando uma família (esse encontro foi criado por nós mesmo, simplesmente porque achamos interessante. Isso faz parte das regras do jogo, parafraseando: “antes de usar o oráculo, faça o mais óbvio que lhe vem na mente”). A mãe defende o filho ferozmente com uma faca, o marido jaz ferido no chão. Imediatamente os aventureiros partem para ajudar a família. A batalha é brutal, Tahir ataca com machado e escudo, derrubando lobo após lobo, ele se coloca na frente de Virdana, para que ela derrube os outros lobos com suas rápidas e certeiras flechas. Um dos lobos avança rapidamente, passando por Tahir e mordendo o tornozelo de Virdana, derrubando-a no chão, mas antes que o lobo rasgue seu pescoço, a mãe o esfaqueia. Com todos os lobos mortos, a dupla conversa com a família, tentando entender o que aconteceu (batalhas em IS podem resolvidas com uma única rolagem rápida com o movimento “batalhar”, ou de forma mais detalhada com uma série de movimentos de combate, que se inicia com o movimento “entrar no combate”).

Nalya, a mãe, explica que estava indo para o pântano junto com o marido e o filho doente, ela não tinha onde deixar a criança, para procurar uma cura para ele. O menino foi envenenado quando visitou uma caverna próxima, a Caverna do Esquecimento. Virdana nota que os sintomas do veneno são os mesmo que ela viu a besta causar no ancião Anatur, levando a conclusão que besta teria passado por ali (este fato foi gerado através de um acerto forte no movimento “coletar informação” para conseguir inspiração rolamos no oráculo de ação e tema). Tahir e Virdana fazem um juramento de ferro, encontrar a erva para curar a criança dentro do pântano.

Os aventureiros entram no pântano fétido, seguidos pelos insetos que não dão trégua. Demoram apenas algumas horas para encontrar o que procuram, a ruína de uma torre de uma civilização que existiu nessas terras antes mesmo dos elfos (decidimos que o pântano era pequeno e não precisa do movimento “fazer uma jornada”). A construção é estranha, pois as paredes parecem feitas de ossos de animais enormes (criação nossa mesmo, sem oráculo). No centro dela há uma fogueira e homens e mulheres usando roupas e armas primitivas dançam em volta de uma pedra esverdeada brilhante que parece ecoar o seu cântico. Aqueles são os Quebrados, explica Tahir a Virdana, dizem que vieram antes dos humanos fugirem das terras além-mar no Sul distante. Por algum motivo, se tornaram selvagens, perderam sua cultura, foram esmagados por essa terra opressora. Infelizmente não veem alternativa senão atacar os Quebrados, já que são muito ferozes e não entendem a língua do povo das terras de ferro. Tahir não gosta da ideia de matar humanos, mas, depois de conversar com Virdana, percebe que aqueles não são mais humanos e que não há outra alternativa, pois eles foram contaminados pela carne dos animais ensandecidos. Ainda assim, antes de chamar a atenção deles enquanto Virdana encontra uma posição alta e seca de onde disparar suas flechas, pensa que um dia esse pode ser o destino do seu povo também.

A batalha que se segue é violenta e rápida. Virdana acerta vários deles, até perder o equilíbrio e escorregar para a água, lá é atacada por um dos Quebrados que se escondiam embaixo d’água. Ela luta bravamente até se libertar. Enquanto isso, Tahir abre caminho a machadadas, até chegar onde Virdana está. Lá eles ficam de costas um para o outro e lutam até o último Quebrado. Contaminados como estão, eles não sentem dor nem medo, mas mesmo assim não são páreo para a dupla de guerreiros veteranos (mais uma vez fizemos o combate mais detalhado, o combate de IS é bem divertido e dinâmico, com movimentos bem legais como: “virar a maré” onde o PJ arrisca tudo quando está em desvantagem).

Quando a luta acaba, Tahir não é capaz de segurar uma lágrima solitária que surge quando ele vê o sangue de seus meios-irmãos tingindo a água de vermelho (usei o movimento “endure stress”, devido à situação difícil que Tahir passou). A pedra do eco está ao alcance da dupla e, mais que isso, também encontram nas proximidades a erva para curar a criança. Virdana conversa com Tahir para entender porque está abalado e tenta confortá-lo, explicando que não havia alternativa e que eles já estavam condenados (usamos aí o movimento do livro sucessor de IS, Ironsworn Starforged, lá tem um movimento chamado “heaten”, que seria encorajar ou animar. Ele é usado depois de uma conversa franca que tentar animar alguém, isso faz Tahir recuperar parte seu espírito).

Post anterior: dadosecanecas.blogspot.com/2023/05/ironsworn-aplicacao-de-mecanicas.html

domingo, 23 de julho de 2023

G1 Nas Cavernas da Abominação Pestilenta - Download da aventura


"Algo maligno e cruel vem aterrorizando os pacatos aldeões da Vila dos Mateiros. Quem serão os bravos aventureiros que descobrirão a origem desse mal e devolverão a paz ao povoado?" 

Nas Cavernas da Abominação Pestilenta é uma aventura para grupos de jogadores de 1o e 2o níveis, no estilo da velha escola do jogos de RPG, onde será possível realizar algo de investigação e hexcrawl, e principalmente uma boa dose de exploração de covis e desafios.

A aventura é sistema agnóstica, então acredito que não haverá dificuldade na sua adaptação para qualquer sistema OSR de sua preferência.

Tive o prazer de contar com a parceria de vários talentosos artistas que contribuíram com sua arte a este projeto: Carlos Castilho, Erllen Correia, Luis Octávio Barros, Geraldo Marinho, Natasha Fariña, Rafaela Augusto e Ricardo Telles, além da contribuição especial do Magno Souza.

Da mesma forma, para esta versão do módulo, agradeço ao pessoal do Dungeon Scrawl (www.dungeonscrawl.com) que me autorizou a utilizar a ferramenta para a produção de um mapa específico.

Nas Cavernas da Abominação Pestilenta é a primeira publicação da Giallo Games (@giallogames), espero que venham muitas outras. Então, esta versão em português é um presente para a comunidade, baixe e distribua-a à vontade.

E por favor, opiniões, sugestões e feedbacks sempre serão bem-vindos. Fique a vontade para me acionar através dos comentários aqui do blog, ou no Instagram com @dadosecanecas ou @giallogames.

Divirta-se!

A aventura (v2 atualizada em abr/2024) está disponível aqui: https://drive.google.com/file/d/1hL_B4iub3vpnuSXp8NXq2WYjGGiOTKbU/view?usp=sharing

E se quiser saber um pouco mais sobre ela, aqui o unboxing do DM Quiral: 

https://www.youtube.com/watch?v=7GMoODw0gdU&t=4s

Resenha no Swords & Stitchery Blog:

https://swordsandstitchery.blogspot.com/2023/09/review-commentary-on-into-caves-of.html



quinta-feira, 20 de julho de 2023

OLD DRAGON Sessão A36 - O forno de pedra

 Os primeiros orcs que marchavam em direção à entrada da caverna haviam sido abatidos por flecha e fogo. As linhas seguintes recuam de volta para a escuridão.

Drev e Bauron empurram os corpos para  alimentar o fogo, e a fumaça se intensifica.

Por muito tempo apenas silêncio e fumaça vem do túnel.

Bauron e Teebo alimentam o fogo com galhos e folhas secas e o fim da tarde vem chegando. Em determinado momento a fumaça se intensifica numa grande nuvem, e as chamas diminuem.

Os aventureiros discutem os próximos passos, quando notam que dois orcs em capuzes tentam se esgueirar pelas laterais do túnel.... Valgrim, Bauron, Teebo e Duvel imediatamente disparam flechas e abatem as criaturas... mas os gritos dos que morrem soam estranhos aos ouvidos dos companheiros. Tentam observar mais detalhadamente e notam que sob os capuzes ao invés de orcs, eram duas mulheres que agora jazem mortas por suas flechas.

Do túnel vem uma gargalhada, e um orc grande se aproxima, segurando uma mulher pelos cabelos e uma adaga em seu pescoço. Mais uma vez os aventureiros disparam flechas a esmo, e abatem tento orc, como refém.

"Dano colateral...", dizem friamente alguns.

O noite vai caindo, e depois de algum tempo, um grande som de marcha acelerada vem do túnel. Os aventureiros se preparam e flechas mais uma vez abatem vários dos orcs da ponta. Valgrim recita seu encantamento , e cinco orcs caem em sono profundo. Das criaturas que tentam vencer o túnel, outras várias sucumbem ás chamas e caem mortas. Mais uma vez, a horda recua.

Gritos enfurecidos são ouvidos lá de dentro, e então silêncio. 

Do túnel, uma única silhueta é vista se aproximando das chamas. Um estanho orc azul atravessa as chamas. Várias bolhas se formam em seu corpo, ele urra de dor mas prossegue. Valgrim lança uma corda e a enfeitiça de forma que se enrole nas penas do orc azul, que cai.

As flechas voam na direção do orc. Isiscarus se esgueira na direção do orc, sacando a sinistra adaga ondulada que havia recuperado no santuário de Cthulhu. Teebo com um flechada, arranca a mão do inimigo, que urra de dor.

O orc finalmente se levanta, e os aventureiros notam que vários de seus ferimentos se fecham, mas o sangue ainda escorre profusamente de seu corpo. 

Bauron, Drev e Gerardus também se aproximam e tentam golpear o orc. Valgrim alcança a corda no chão e lança a outra ponta para Bauron, e juntos puxando-a voltam a derrubar o orc azul, que cai sobre as chamas e novamente urra de dor. Rapidamente ele tenta se afastar das chamas. Isiscarus aproveita a oportunidade e finalmente acerta um golpe com a adaga. 

Os aventureiros observam quando o corpo do orc vai estranhamente se paralisando na posição que estava, enquanto tentava se erguer. Subitamente se forma vai se alterando, crescendo, até se tornar quase um gigante azul, com longos cabelos brancos, chifres, um rosto maligno com presas que se destacam na boca.

Bauron rapidamente pega a cimitarra de Drev e num golpe arranca a cabeça da criatura. Do corpo recuperam um grande sabre, Duvel recolhe um bocado do sangue em um cantil, e empurram-no para as chamas.

Os orcs dentro da caverna gritam desesperados quando os aventureiros atravessam o corredor exibindo a cabeça de seu líder Aghur.